Sadia e Perdigão têm prejuízos no 1o trimestre

Perdigão e Sadia, duas das maiores empresas do setor de alimentos do Brasil, anunciaram nesta quinta-feira prejuízos líquidos de mais de 200 milhões de reais no primeiro trimestre de 2009, resultados bastante diferentes dos registrados há um ano, quando ambas tiveram lucro.

REUTERS

14 de maio de 2009 | 20h34

A Sadia teve prejuízo de 239,2 milhões de reais no primeiro trimestre de 2009, contra lucro de 248,3 milhões de reais no mesmo período de 2008, devido a perdas financeiras.

"O resultado financeiro líquido da Sadia totalizou 260 milhões negativos no primeiro trimestre...", informou a empresa, destacando que a maior despesa, de 122,9 milhões de reais, refere-se a pagamentos de juros de financiamentos.

Já a Perdigão explicou suas perdas, de 226 milhões de reais, ante lucro 51 milhões de reais no mesmo período de 2008, "pela queda abrupta de preços no mercado externo, pela pressão de volumes no mercado interno devido ao redirecionamento de produtos do mercado externo", além de aperto de margens resultante do aumento de custos e despesas comerciais e financeiras.

Também pesou para a perda da Perdigão o prejuízo fiscal na incorporação da subsidiária Perdigão Agroindustiral, em fevereiro. "Desconsiderando este último efeito, o resultado líquido seria negativo em 94 milhões de reais", afirmou a empresa em comunicado.

Perdigão e Sadia, que contam com alguns acionistas em comum, especialmente fundos de pensão como a Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), estão em negociações para uma associação.

Uma união seria uma das formas de reduzir o elevado endividamento da Sadia, após a empresa ter registrado elevadas perdas com derivativos cambiais no ano passado, quando houve uma forte desvalorização do real frente ao dólar.

A Perdigão, apesar das recentes notícias da mídia indicando que as negociações estariam praticamente finalizadas, apenas reiterou no comunicado que as discussões foram retomadas, mas sem haver uma conclusão.

SADIA

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Sadia caiu para 62,5 milhões de reais, contra 256,9 milhões de reais nos primeiros três meses de 2008.

A empresa terminou o trimestre com um endividamento financeiro líquido de 6,8 bilhões de reais, sendo 3,2 bilhões de reais de dívidas de curto prazo, que a companhia vem tentando equacionar.

Se a Sadia teve desempenho financeiro negativo, a parte operacional ficou no azul.

A receita bruta consolidada no período alcançou 2,9 bilhões de reais, 10,6 por cento superior ao resultado verificado há um ano, com o bom desempenho do mercado interno, que registrou elevação de vendas em volume e preço.

A receita com o mercado interno totalizou 1,7 bilhão de reais, expansão de 22,7 por cento.

A maior concentração das vendas no mercado doméstico superou a média histórica e atingiu 59,5 por cento do total da receita.

Já a performance no mercado externo perdeu participação relativa devido, principalmente, aos impactos da crise econômico-financeira mundial. A receita bruta com exportações totalizou 1,2 bilhão de reais, uma queda de 3,3 por cento na comparação com o primeiro trimestre de 2008.

"Afetados pelo enxugamento do crédito, importadores promoveram grandes reduções de seus estoques, que acabaram afetando as exportações brasileiras do nosso setor. O redirecionamento dos produtos para o mercado interno compensou em parte a redução das receitas externas...", afirmou o diretor presidente da Sadia, Gilberto Tomazoni, em nota.

PERDIGÃO

A receita bruta da Perdigão cresceu 6,6 por cento no primeiro trimestre de 2009, na comparação com o mesmo período de 2008, para 3,03 bilhões de reais.

Esse crescimento do faturamento ocorreu pelo desempenho dos mercados interno e externo.

As receitas com vendas domésticas atingiram 1,9 bilhão de reais, alta de 8,3 por cento ante o primeiro período de 2008. Esse aumento foi respaldado pelo crescimento nos volumes vendidos, de 22,7 por cento.

A Perdigão ainda conseguiu elevar suas vendas externas em 4 por cento, para 1,14 bilhão de reais, "mesmo considerando a forte pressão vivenciada no mercado internacional, com redução dos preços médio em 22,4 por cento em dólares-FOB".

O Ebtida da Perdigão no primeiro trimestre caiu para 118 milhões de reais, contra 186 milhões de reais no mesmo período de 2008.

(Reportagem de Camila Moreira e Roberto Samora)

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