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Sadia põe à venda fábrica na Rússia inaugurada em 2007

É o primeira unidade operacional que a empresa admite vender na busca pela capitalização

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2009 | 00h00

Pouco mais de um ano depois de investir R$ 92 milhões em uma fábrica na Rússia, a Sadia está saindo do negócio. A venda do ativo operacional é uma das alternativas de capitalização em estudo pela companhia. A empresa já havia anunciado que pretende vender uma participação no banco e corretora Concórdia, além de outros ativos não operacionais, como um terreno na Vila Anastácio, em São Paulo, onde fica sua sede administrativa. A empresa tenta levantar R$ 1 bilhão com a venda desses ativos. Procurada pela reportagem, a Sadia confirmou que a venda da fábrica da Rússia está "em estudos, como parte do plano de capitalização". Este é o primeiro ativo operacional que a empresa coloca à venda. Quando foi revelado que a empresa havia contratado um banco para vender alguns ativos e também uma participação acionária na própria companhia, a Sadia declarou que colocaria a venda apenas ativos não operacionais. Uma das maiores companhias de alimentos do País, a Sadia vinha em franco crescimento quando a crise financeira internacional se acentuou, em setembro do ano passado. A desvalorização cambial pegou a companhia com uma exposição a operações de derivativos muito superior ao permitido pelas suas próprias regras de governança, e provocou perdas de R$ 760 milhões. Com uma dívida de curto prazo, com vencimentos até setembro, estimada em R$ 3,5 bilhões, a empresa tem pressa para se capitalizar. Por isso, a não concretização de quaisquer das alternativas de capitalização tem feito aumentar as pressões sobre a companhia. Especulações de que a Sadia estaria negociando uma fusão com a Perdigão fez as ações das duas companhias dispararem desde a última sexta-feira. Na noite de segunda-feira, a Sadia revelou, por meio de comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que realizou "entendimentos recentes com a Perdigão", no sentido de uma associação, embora não tivesse nada de concreto para anunciar. Ontem pela manhã, contudo, a Perdigão divulgou uma nota à CVM negando a existência "de qualquer negociação em curso" com a Sadia. A empresa confirma que houve conversas, mas que as partes não chegaram a qualquer entendimento. As ações das duas empresas voltaram a subir ontem, liderando as altas na Bovespa, e a CVM informou que vai examinar o comportamento de ambos os papéis. Em janeiro, as ações da Sadia também já haviam disparado com rumores de um possível aporte de capital na companhia. INTERNACIONALIZAÇÃOO investimento na fábrica localizada em Kaliningrado - um enclave russo entre a Polônia e a Lituânia, à beira do Mar Báltico - foi o primeiro grande passo na estratégia de internacionalização da Sadia. O negócio foi anunciado em 2006, em meio à crise provocada pela gripe aviária e depois do fracasso da oferta hostil feita à rival Perdigão. A inauguração da fábrica ocorreu em dezembro de 2007. À época, a empresa tinha planos para construir pelo menos mais duas fábricas no exterior, sendo uma, provavelmente, nos Emirados Árabes.Com financiamento do International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, a fábrica processa carnes com matérias-primas do Brasil e abastece o McDonald?s da Rússia. A unidade também ajudou a fazer da Sadia, que já era forte no país, a marca estrangeira mais conhecida no mercado russo.A Sadia estaria, no entanto, insatisfeita com o relacionamento com seu sócio russo, a distribuidora de alimentos Miratorg, que detém 40% do negócio.

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