Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Sadia procurou antes o BNDES

Negociações da fusão foram conduzidas pelo mesmo executivo de banco que tentou vender a Perdigão à Sadia, em 1999

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

As conversas com a Perdigão começaram em outubro do ano passado, logo depois de a Sadia sofrer um prejuízo bilionário com derivativos. As negociações foram conduzidas pelo mesmo executivo do Bradesco, Jaime Singer, que sugeriu aos sócios da Sadia comprar a Perdigão, em 1999.Dessa vez, as negociações foram conduzidas por um grupo pequeno de pessoas: Nildemar Secches, presidente do conselho de administração da Perdigão, Luiz Furlan, presidente do conselho de administração da Sadia, e executivos de bancos e advogados das duas empresas.A Perdigão foi representada pelo UBS Pactual e pelo escritório Bocater, Camargo, Costa e Silva, enquanto a Sadia era representada pelo BBI, banco de investimentos do Bradesco, e pelo escritório Barbosa, Mussnich & Aragão.As reuniões foram realizadas no escritório Costa e Silva e o nome usado em código para disfarçar a operação foi Sete Belo, numa referência à carta de sorte no baralho. A primeira tentativa de união, em 1999, também tinha um nome em código: Diamante, numa referência truncada às iniciais das empresas (Safira, de Sadia, e Pérolas, de Perdigão).BNDESAntes de fechar com a Perdigão, a Sadia tentou outra solução para resolver sua necessidade de capital. A companhia procurou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para negociar um aporte de capital. Também participariam da operação fundos de private equity, que compram participações em empresas. A gestão da Sadia seria compartilhada com os fundos, mas o BNDES só topou participar do negócio depois de resolvido o problema de capitalização.A Sadia partiu então para buscar sócios privados. Fechou o primeiro acordo de exclusividade nas negociações com a Perdigão em dezembro do ano passado, com validade até março de 2009. Como não houve acerto, a partir de março a Sadia passou a procurar outros sócios. Chegou a negociar um aporte de R$ 2 bilhões com o fundo Tarpon, mas preferiu ficar com a opção da Perdigão, um plano antigo dos sócios da Sadia. Uma das razões da decisão é que, com a troca de ações com a Perdigão, ficou mais fácil para cada membro das famílias Fontana e Furlan decidir se fica na empresa ou vende os papéis e sai do grupo.Por nove vezes, nas últimas semanas, o anúncio feito ontem chegou a ser marcado. Não ocorreu antes porque houve dificuldades de toda ordem, desde bater o martelo nos porcentuais de participação aceitos pelos acionistas, até conciliar as indicações sobre qual seria o melhor endereço para a sede em Santa Catarina. A Perdigão queria Videira, sua cidade natal. A Sadia, sugeriu a sua, Concórdia. Acabaram escolhendo Itajaí, que é campo neutro. Uma das principais dúvidas foi o destino do banco do grupo. Como a Perdigão não quis ficar com a instituição financeira, ela ficou com os acionistas da Sadia, que podem tentar vendê-lo daqui para a frente. Furlan e Secches admitiram que ensaiaram dividir a cena do anúncio da fusão de forma equilibrada. Mas Furlan, mais descontraído, sempre se alongava mais nas respostas. Eles insistiram o tempo todo no caráter de uma empresa brasileira que, pelo tamanho que atinge, vai atravessar fronteiras e conquistar mercados com mais facilidade. Um recurso de retórica muito usado em grandes fusões, como quando a Brahma comprou a Antarctica para formar a AmBev.O tempo de alfinetadas por meio de campanhas publicitárias, que durante anos marcou o marketing das duas rivais, vai acabar. "Agora é só amor", disse Secches ontem, durante o anúncio do negócio.Para celebrar a união, Secches, que se declarou corintiano há pouco mais de um mês - desde que a Perdigão passou a patrocinar o time com a marca Batavo -, presenteou Furlan, corintiano há 50 anos, com uma camiseta do clube. Só que, no lugar da assinatura Batavo, entrou o logo da BRF. A camiseta do timão foi feita sob encomenda para a ocasião e fez parte das inúmeras brincadeiras que os dois executivos fizeram para descontrair o clima do anúncio e demonstrar harmonia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.