Sadia retira oferta de compra da Perdigão depois de resposta hostil

O diretor de Finanças e Relações com Investidores da Sadia, Luiz Murat, disse nesta sexta-feira que a empresa "muito a contra gosto" decidiu retirar a oferta pública de compra da Perdigão, lançada no início da semana. Segundo ele, a concorrente não manifestou disposição em negociar pois respondeu às duas propostas muito rapidamente, embora houvesse um prazo de 45 dias para se fazer isso.Murat se queixou do imediato posicionamento da Previ, maior acionista da Perdigão, na segunda proposta, pois a rejeição ocorreu em 15 minutos. "Eles rejeitaram a primeira oferta calcados em preço. Fizemos um esforço extraordinário de aumento e fomos rechaçados até com indulgência, em 15 minutos, o que para nós é surpreendente pois são acionistas com participação lá e aqui", afirmou. "Fizemos uma oferta voluntária e fomos surpreendidos por uma resposta hostil."Valor de compraMurat afirmou que os dois preços oferecidos pela Perdigão tinham valor econômico lógico. Ele repetiu que os múltiplos contidos na oferta estavam coerentes tanto com as últimas negociações ocorridas no mercado brasileiro como com os valores implícitos nos papéis das empresas.Além disso, o valor ofertado embute as incertezas relativas à gripe aviária, à doença de Newcastle e de aftosa, o que na sua opinião não entrou nos preços informados pela Perdigão, com base em avaliações das instituições financeiras. Os preços-alvo usados, para ele, se referem a valores futuros, o que pode significar uma variação de até 15%. "Algo está errado e não é no nosso cálculo", disse.Murat argumenta também que, caso a concorrente discordasse do valor, teria que pedir um laudo de avaliação, como orienta seu estatuto social, e discutir com a Sadia, para o que havia um prazo de 45 dias.O executivo falou ainda que a Sadia não pensa em refazer a proposta ou negociar por outros meios, como diretamente com os maiores acionistas, os fundos de pensão. Para ele, as fundações continuam controlando a companhia, apesar da entrada no Novo Mercado. "Ficou claro que ainda há bloco de controle, em que uma pessoa fala por todos. Tentamos fazer uma operação nos moldes do Novo Mercado, mas alguém achou que tinha que ser do jeito antigo. Não era este o jogo que esperávamos fazer." Ele lamentou que o Brasil perdeu a oportunidade de ter uma empresa com musculatura suficiente para brigar no mercado mundial, por meio de uma operação transparente que recebeu apoio de toda sociedade e do mercado. O executivo disse desconhecer que a Perdigão estivesse negociando com alguma empresa estrangeira, o que poderia ter motivado a recusa da proposta. "Se for isso, paciência. Nós demos esta oportunidade a ela", disse. Segundo ele, o comando da Sadia, a quarta geração da família Fontana, não pretende se desfazer do negócio. "Isto não é novidade para ninguém", afirmou. Pelo contrário, as medidas tomadas recentemente, como a adoção de tag along, mostram a intenção de prosseguir com a companhia, dado o grande potencial do Brasil nesta área, argumentou o executivo.

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