Sadia vai suspender algumas operações para regular estoques

Cerca de 20% dos funcionários da empresa vão parar nos próximos dias, segundo presidente do Conselho

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2008 | 12h26

O presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, anunciou nesta segunda-feira, 22, que cerca de 20% dos 63 mil funcionários da empresa (em torno de 12 mil trabalhadores), vão parar nos próximos dias, sobretudo nas unidades voltadas à exportação. Segundo ele, com a falta de liquidez no mercado externo e os problemas de embarque e armazenamento de produtos no Porto de Itajaí (SC), os estoques de exportação da empresa ficaram elevados e por isso foi tomada a decisão de fazer neste final de ano um plano de compensação de banco de horas para os funcionários.  Veja também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira globalDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda as operações de derivativos e suas conseqüências "Não é um assunto grave e não envolve demissões", garantiu o executivo. Segundo Furlan, a acomodação dos estoques mundiais de carne de frango contrasta com a situação do mercado interno que, segundo ele, prossegue aquecido para os produtos da Sadia, que tiveram recorde de vendas no País nos meses de outubro e novembro. Derivativos Furlan afirmou ainda que o as perdas no mercado de derivativos, anunciadas pela Sadia no início do agravamento da crise internacional no Brasil, "estão voltando à normalidade". Segundo ele, a dívida, que totalizava US$ 2,4 bilhões em 30 de setembro, hoje é de "apenas" US$ 600 milhões.  "Isso representa pouco mais de dois meses de exportação. A cada mês exportamos US$ 250 milhões e liquidamos parte da dívida", declarou, ao chegar ao Copacabana Palace, para participar do 2º Encontro Empresarial Brasil-Europa.  O executivo reiterou que a Sadia não está à venda e afirmou que não sabe por quanto tempo ainda prosseguirá no comando da empresa. "Vou ficar o tempo necessário, mas não quero morrer com o bastão na mão", disse o executivo, que retornou ao conselho da Sadia há dois meses, para resolver os fortes problemas gerados no caixa da empresa por causa das operações com derivativos.

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