Safra 2002 deverá ser 0,72% menor que a anterior

A safra 2002 deverá ser menor do que a colhida no ano passado, segundo estimativa do IBGE. Na projeção de setembro para a safra, o instituto aponta uma queda de 0,72% na colheita atual em comparação à anterior, caindo de 98,544 milhões de toneladas para 97,832 milhões de toneladas. Problemas climáticos levaram a várias revisões nas estimativas no decorrer deste ano, mas hoje foi divulgada a primeira projeção de queda.O chefe do departamento de agropecuária do instituto, Carlos Alberto Lauria, disse que as únicas perspectivas de mudança na projeção, que são o restante da colheita do trigo no Paraná e a quase totalidade colheita do produto no Rio Grande do Sul, tendem a apresentar até o fim do ano alguma queda em relação às estimativas de setembro, já que problemas climáticos estão prejudicando produtores de ambas as regiões.A estimativa de agosto do IBGE previa uma safra de 98, 625 milhões de toneladas, 0,81% superior, portanto, à projeção do levantamento de setembro. A revisão foi provocada pelas quedas nas estimativas do algodão herbáceo em caroço (menos 4,49%) e do trigo (menos 13,94%) de agosto para setembro. A queda do algodão foi provocada pelas revisões dos dados da colheita em Mato Grosso, que é o maior produtor nacional.Segundo Lauria, as condições climáticas adversas na região tiveram impacto negativo na produtividade dessa cultura. O clima também foi responsável pela revisão do trigo, já que a safra do Paraná deverá ser reduzida por causa das geadas ocorridas em importantes centros produtores desse Estado em setembro. A região, que responde por 49% da produção nacional de trigo, já colheu cerca de 60% da safra. As expectativas agora estão voltadas para o Rio Grande do Sul, onde também estão ocorrendo problemas climáticos e a colheita ainda está em fase inicial e só será concluída em setembro.Apesar das revisões de setembro, a colheita de trigo desta safra 2002 - estimativa de 3,63 milhões de toneladas, 11,5% superior à safra anterior - será recorde pelo menos dos últimos 10 anos, segundo Lauria. Apesar da colheita estimada, o Brasil deverá manter neste ano a importação de cerca de 7 milhões de toneladas de trigo, como ocorreu no ano passado.Segundo Lauria, a diferença entre a necessidade de consumo e o total produzido no País é um dos principais fatores responsáveis pelos aumentos de preços que vêm sendo registrados em produtos derivados do trigo em conseqüência da alta do dólar, como pão francês e macarrão.

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