Daniel Teixeira/Estadão - 18/5/2019
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Estiagem no Sul faz IBGE reduzir em 4,7% estimativa de safra de grãos

Mesmo com redução, safra 2022 deve ser recorde, superando em 7,4% a do ano passado

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2022 | 09h32
Atualizado 10 de fevereiro de 2022 | 12h03

RIO - A estiagem no Sul do País, que tem causado perdas nas lavouras do Paraná e do Rio Grande do Sul, fez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reduzir sua previsão da safra agrícola de 2022 para 271,9 milhões de toneladas, 5,2 milhões de toneladas a menos do que o divulgado em janeiro. Mesmo com a redução, a safra 2022 promete ser recorde, superando em 7,4% a do ano passado.

De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, a colheita da soja foi a mais impactada pela falta de chuvas, principalmente no Paraná, e perdeu o status de recorde histórico. A estimativa de produção do grão no País foi cortada para 131,8 milhões de toneladas, redução de 4,7% em relação ao divulgado anteriormente, ou 6,5 milhões de toneladas a menos.

Quebra de safra

Segundo Carlos Antônio Barradas, gerente do LSPA, os produtores brasileiros destinaram mais investimentos em insumos e tecnologia para a produção neste ano, mas acabaram impactados pelos efeitos climáticos. Segundo ele, esses impactos ainda não foram completamente capturados pela pesquisa e, provavelmente, haverá mais revisões para baixo nos próximos meses.

“A essa altura do campeonato, os dados ainda estão entrando (no sistema de coleta do IBGE). Não temos a magnitude total da quebra da safra de verão no Rio Grande do Sul”, explicou Barradas, para quem a safra de soja permanece boa. “A produção agrícola brasileira alimenta quase 1 bilhão de pessoas e o mundo fica voltado para cá.”

O IBGE detalhou na pesquisa que houve reduções também nas estimativas de produção da milho 1ª safra (-4,6% ou -1,3 milhão de toneladas), feijão 1ª safra (-6,4% ou -82,5 mil toneladas), feijão 3ª safra (-1,4% ou -8,1 mil toneladas), café arábica (-0,5% ou -11,0 mil toneladas) e café canephora (-0,0% ou -2 toneladas).

Safra do milho

A boa notícia permanece sendo o milho segunda safra, que vem garantindo o recorde da produção total de grãos de 2022. Na pesquisa divulgada, a estimativa foi novamente elevada, desta vez para 82,7 milhões de toneladas. Barradas afirma que o Mato Grosso, maior produtor da safrinha de milho, já plantou 90% do previsto.

“O plantio foi dentro da janela e os preços do milho estão bastante elevados. Antigamente, o diferencial de preços de milho e soja era muito grande (a favor da soja). Essa diferença se reduziu e o rendimento do milho é, pelo menos, duas vezes e meia maior do que a soja. Estaos bem esperançoso”, disse o técnico do IBGE.

Além do milho segunda safra, houve incrementos nas estimativas de produção para o feijão segunda safra (20,0% ou 214,6 mil toneladas), algodão herbáceo em caroço (2,6% ou 160,4 mil toneladas), tomate (2,1% ou 72,5 mil toneladas) e sorgo (1,4% ou 37,5 mil toneladas), conforme a pesquisa do IBGE.

Preços

Na quarta, 9, o instituto divulgou que os preços dos alimentos pressionaram a inflação de janeiro. Barradas disse que a produção prevista de arroz e feijão é suficiente para atender o mercado interno. No caso do milho, Barradas lembrou que o produto além de ser exportado sofre concorrência com produtores de suínos e frangos, que usam o milho como ração.

No total, os produtores brasileiros devem colher em 71,2 milhões de hectares na safra agrícola de 2022, uma elevação de 3,8% em relação à área colhida em 2021, o equivalente a mais 2,6 milhões de hectares.  Em relação à estimativa de dezembro, a área a ser colhida aumentou 0,3%, com 217,2 mil hectares a mais.

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