Werther Santana/ Estadão
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Coluna

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Safra agrícola deve alcançar novo recorde de 240,9 milhões de toneladas em 2020

Tanto a soja quanto o algodão renovarão suas marcas históricas; se confirmada a projeção, o Brasil se tornará o maior produtor de soja do mundo, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez, diz analista do IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 17h41

A safra agrícola brasileira deve alcançar um novo recorde no ano que vem, 240,9 milhões de toneladas, 33,6 mil toneladas a mais que o desempenho esperado para este ano. Os dados são do Prognóstico para a Safra Agrícola divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Tanto a soja quanto o algodão renovarão suas marcas históricas. Se confirmada a projeção, o Brasil se tornará o maior produtor de soja do mundo, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez, afirmou Carlos Alfredo Guedes, analista da Coordenação de Agropecuária do IBGE. A produção nacional de soja deve totalizar 120,777 milhões de toneladas em 2020, um crescimento de 6,7% em relação a 2019, 7,6 milhões de toneladas a mais.

“Além de a gente estar aumentando, eles tiveram muito problema no ano passado, problema climático, que afetou área plantada e a produção de soja deles. A safra dos Estados Unidos que estão colhendo agora foi em torno de 96 milhões de toneladas”, contou Carlos Alfredo Guedes.

O Mato Grosso deve responder por 27,3% do total de soja produzido pelo Brasil em 2020, com 33 milhões de toneladas, um crescimento de 2,2% em relação a 2019. O Paraná, segundo maior produtor e responsável por 16,4% do total nacional, estima produzir 19,8 milhões de toneladas, aumento de 22,5%, devido ao crescimento no rendimento médio.

Apesar das boas perspectivas, a expectativa de mais uma safra recorde de grãos em 2020 não garante preços baixos nos alimentos, ponderou Carlos Alfredo Guedes. Segundo o pesquisador, os preços da soja e do milho, dois principais produtos brasileiros, dependerão de fatores externos, como a disputa entre Estados Unidos e China, e da demanda asiática por grãos.

“No caso da soja, depende muito do mercado internacional. Provavelmente, os preços da soja vão ficar aquecidos este ano, devido a essa queda grande (da safra) nos Estados Unidos. O mercado está esperando essa questão da disputa dos Estados Unidos e China, teve taxação de alguns produtos, e um deles foi a soja”, lembrou Guedes.

Quanto ao milho, o pesquisador contou que a exportação brasileira do grão mais que dobrou em 2019, passando de 19,3 milhões de toneladas de milho exportado de janeiro a novembro de 2018 para 39,1 milhões de toneladas de janeiro a novembro de 2019, um aumento de 102,6%.

“Geralmente, quando a gente aumenta a cultura, o preço cai. Mas como a gente exportou muito, o preço se manteve atraente. Muitos produtores que tiveram prejuízo com a soja conseguiram recuperar com o milho segunda safra. Grande parte dessa explicação é a peste suína que dizimou o rebanho da China. Os países próximos à China aumentaram muito as importações de milho para produzir suíno e frango para o mercado chinês. E dólar (mais valorizado em relação ao real) também deixou mais barato comprar milho aqui dentro do que em outro país”, disse Guedes.

O pesquisador lembrou que os preços da soja e do milho influenciam diretamente os custos da produção de frango, suínos e carne bovina. “Enquanto a produção chinesa de suínos não se estabilizar novamente, não se recuperar, a gente deve estar exportando milho. Em torno de 70% do custo da ração do frango e suínos é milho. A soja vai para a ração, mas em porcentual menor”, avaliou.

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