Rafael Arbex/ Estadão
Rafael Arbex/ Estadão

Safra 2022 crescerá 3,3% diante da do ano passado, diz IBGE

Resultado deste ano deverá totalizar 261,5 milhões de toneladas, 8,3 milhões de toneladas a mais do que em 2021

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2022 | 10h21
Atualizado 12 de maio de 2022 | 12h27

Após quatro meses de revisões para baixo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) elevou em abril a projeção para a produção agrícola em 2022, reforçando as expectativas de uma safra recorde, apesar da seca que atingiu os Estados do Sul do País na virada do ano, durante o verão. No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de abril, divulgado nesta quinta-feira, 12, o IBGE estima uma safra total de 261,5 milhões de toneladas, alta de 3,3% em relação ao resultado de 2021.

No ano como um todo, o bom desempenho da agricultura deverá ser garantido, se o clima permitir, por uma safra recorde de milho, com 111,9 milhões de toneladas, salto de 27,5% ante 2021, quando houve uma grande queda na produção. Ano passado, a produção de milho foi derrubada pelo atraso no plantio da segunda safra – por causa da demora no início do período chuvoso da primavera de 2020 – e pela estiagem e pelo frio no inverno de 2021.

“Após uma forte queda na produção, em 2021, efeitos do atraso do plantio e da falta de chuvas nas principais Unidades da Federação produtoras, aguarda-se um ano dentro da normalidade, notadamente durante a época de 2ª safra, que é a principal e deve responder por 77,4% da produção brasileira. A produção nacional de milho deve alcançar novo recorde nacional”, diz a nota divulgada pelo IBGE.

Para este ano, ainda poderá haver incerteza em relação ao clima, mas o plantio da segunda safra de milho se deu na época de sempre. Por isso, o IBGE projeta uma produção de 86,6 milhões de toneladas na segunda safra de milho, salto de 39,4% ante 2021. Com a colheita finalizada, a primeira safra de milho produziu 25,3 milhões de toneladas, segundo o LSPA de abril, queda de 1,4% ante 2021. A primeira safra foi atingida pela seca no Sul durante o verão.

A principal vítima dessa seca no Sul, porém, foi a safra de soja, principal cultura nacional. Com a colheita praticamente encerrada, o LSPA de abril projeta uma safra de 118,5 milhões. A estimativa até ficou 2,0% acima da registrada no LSPA de março, mas, ainda assim, representa um tombo de 12,2% ante 2021. Segundo o IBGE, a safra de 2021/2022 de soja foi “marcada por efeitos climáticos adversos, com registro de forte estiagem durante o desenvolvimento da cultura nos estados do centro-sul do País”.

Outra vítima da seca e do frio no inverno de 2021, a produção total de café deverá atingir 3,3 milhões de toneladas em 2022, ou 54,9 milhões de sacas de 60 kg, alta de 12,0% em relação ao ano passado. Apesar do crescimento, os cafeicultores não têm muito o que comemorar, já que a alta na produção deverá ficar abaixo do potencial. Isso porque, naturalmente, os pés de café dão mais frutos num ano e menos no seguinte. As safras em que os pés de café dão mais frutos são chamadas pelos especialistas como de “bienalidade positiva”. Naturalmente, o salto de produção nesses anos é elevado.

O problema é que as geadas e o frio extremo do inverno do ano passado atingiram em cheio os cafezais, afetando não só a produção na safra de “bienalidade negativa”, em 2021, como a deste ano. “Em 2022, a safra do café arábica será de bienalidade positiva, com aumento expressivo da produção, embora o clima seco e excessivamente frio do inverno de 2021 possa ter reduzido o potencial esperado”, diz a nota do IBGE.

Junto do LSPA de abril, o IBGE divulgou nesta quinta-feira, 12, as Pesquisas Trimestrais da Pecuária, apontando para aumento da produção de carne bovina e suína no primeiro trimestre, enquanto a produção de carne de frango caiu. O abate de bovinos cresceu 4,7% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os três primeiros meses de 2021, somando 6,91 milhões de cabeças. Na comparação com o quarto trimestre de 2021, houve aumento de 0,1%.

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