Safra de grãos deve ter volume recorde

A próxima safra brasileira de grãos deverá ficar entre 104,9 milhões de toneladas e 110,6 milhões de toneladas, um volume inédito na história agrícola do País, em qualquer das duas alternativas. Segundo anúncio feito ontem pelo ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, na primeira hipótese, haverá um aumento de 8,1% e, na segunda, de 13,9% sobre a última colheita, que ficou em 97,13 milhões de toneladas.A colheita do ano passado estava estimada em 98,6 milhões de toneladas, mas foi reduzida por conta de uma quebra de 700 mil toneladas na colheita de trigo, devido a problemas climáticos. O ministro Pratini de Moraes disse que a próxima colheita resultará de um plantio de 40,13 milhões a 41,8 milhões de hectares, praticamente a mesma área do ano passado.Segundo Pratini de Moraes, o aumento previsto para a safra 2002/03 virá basicamente do aumento da produtividade - mais de 70% nos últimos 10 anos -, apesar da desvalorização cambial que elevou o preço dos insumos e provocou a redução de algumas culturas, como o milho. Nesse sentido, o ministro criticou a elevação da taxa de câmbio, embora a exportação do agronégocio esteja sendo altamente beneficiada pela desvalorização do real frente ao dólar."O aumento do dólar é ruim para o agronegócio porque eleva o preço de outros produtos e dos insumos no mercado interno, além de não se traduzir em aumento da produção. A elevação do câmbio só contribui mesmo é para a redução das importações", afirmou. Para o ministro, uma taxa ideal de câmbio deveria oscilar entre R$ 2,50 a R$ 2,80 para cada dólar.Soja e milhoPratini explicou que o aumento no preço da soja, por exemplo, que está beneficiando os exportadores, está prejudicando o suprimento do milho internamente. Muitos produtores migraram para o cultivo da soja, reduzindo a oferta do produto. Além disso, como o preço do milho representa 50% do preço da soja, o custo do produto para os consumidores brasileiros (avicultores e criadores de suínos) acabou subindo muito e gerando problemas de abastecimento."Atualmente temos problemas de suprimento no Sul, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, São Paulo, e no Nordeste", observou. O ministro lembrou ainda que a alta do dólar está dificultando as importações de trigo pelos moinhos brasileiros. "Nossa expectativa é de que a taxa de câmbio volte ao normal depois das eleições", afirmou.A lavoura de soja, seguida da de milho, continuará liderando o aumento da produção na próxima colheita, a exemplo da última safra. A previsão é de uma colheita entre 47,4 milhões de toneladas e 48,1 milhões de toneladas (mais 13,2% ou 14,9% sobre o ano passado) para a soja, e de 37,08 milhões e 40,35 milhões de toneladas para o milho (mais 5,3% ou 14,6%).TrigoO governo também está apostando forte no plantio de trigo, com uma estimativa de colher 4,5 milhões de toneladas no ano que vem, o que representaria 45,4% acima da última safra. Este volume representará pouco menos da metade do consumo nacional atual, que é de cerca de 10 milhões de toneladas ao ano. Os dados se baseiam em pesquisa de campo feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entre os dias 29 de setembro e 5 deste mês, em 410 municípios do País.Com relação às demais culturas, o levantamento da Conab indica que a lavoura de algodão ficará, no máximo, entre 706 a 731 mil hectares, com uma redução de 5,9% a 2,5% sobre o ano passado. A produção estimada para o algodão é de 1,2 milhão de toneladas. Pratini disse que a redução do plantio se deve a incapacidade dos brasileiros de concorrerem com os subsídios concedidos pelos Estados Unidos, onde os agricultores recebem uma subvenção de cerca de 80% sobre os preços praticados no mercado. A área de arroz se manteve praticamente inalterada, com uma previsão de colheita em 11 milhões de toneladas.

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