Safra de grãos poderia triplicar sem barreiras, diz governo

O ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, disse hoje, ao anunciar a terceira previsão para a colheita de grãos 2001/02, estimada em 100,5 milhões de toneladas (2,3% a mais que a safra anterior), que o Brasil poderia dobrar ou triplicar a produção de grãos, se os países ricos não praticassem barreiras comerciais e subsídios que derrubam preços e limitam o acesso dos países pobres ao mercado internacional.Para colher a próxima safra de grãos (2001/02) estão sendo cultivadas 39,244 milhões de hectares, o que equivale a 4,7% a mais que a área do ano passado. O Brasil, possui, no entanto, mais 90 milhões de hectares livres para plantio, que poderiam resultar em mais 240 milhões de toneladas de grãos. ?O problema é para quem vender e a que preço?, disse o ministro.Ele informou que nas próximas semanas o Ministério da Agricultura encaminhará ao Itamaraty o estudo técnico que irá embasar a primeira de uma série de ações que o governo brasileiro irá formalizar na Organização Mundial do Comércio (OMC) para defender seus produtos agrícolas.AçõesA primeira será contra as subvenções concedidas pelos norte-americanos à soja, que cobrem entre 20% a 25% do custo de produção dessa cultura. A segunda ação será contra os subsídios concedidos aos produtores norte-americanos de algodão, que chegam a quase 70% da valor do preço de mercado por libra/peso do produto. A terceira ação será contra as barreiras impostas pela União Européia que limitam as vendas do açúcar brasileiro.Pratini de Moraes disse que o Brasil não tem porque temer estremecimento nas relações com os Estados Unidos ou com a União Européia por contestar as práticas desleais de comércio. ?Nós não temos porque ter medo deles. Não se trata de uma medida política, mas de usar mecanismos previstos na própria OMC para defender nossos interesses. Assim como os Estados Unidos estão fazendo agora para proteger o aço americano?, frisou.PrevisãoAo anunciar a terceira previsão para a colheita de grãos 2001/02, o ministro disse que os produtos que terão melhor desempenho serão o feijão, a soja, o milho, e o arroz. A colheita de feijão está estimada em 3,2 milhões, ou 25,9% a mais que a anterior. Para a soja a previsão é de um aumento de 11,6%, ficando em 41,539 milhões de toneladas; a de milho, mesmo com uma redução de 8,7% em relação a do ano passado, ficará em 37,9 milhões de toneladas; enquanto a de arroz registrará um crescimento de 10,7%, alcançando 11,4 milhões de toneladas.O ministro explicou que a redução na primeira safra de milho ( menos 15,3%) foi provocada principalmente pela migração dos produtores para a soja, motivados por preços melhores, e pela estiagem no Sul que reduziu a produção da região em um milhão de toneladas.Para a segunda safra de milho, cujo plantio já começou, a previsão é de colher 8 milhões de toneladas contra 6,3 milhões colhidas no ano passado. O produto com pior desempenho foi o algodão, com uma queda de 15,9% na produção estimada: 1,2 milhão de toneladas contra 1,5 milhão de toneladas na safra anterior.Para a safra de inverno, o governo está repetindo os dados da colheita de trigo do ano passado, de 3,194 milhões de toneladas. Mas, dependendo do clima, Pratini disse que esse resultado deverá ficar em 3,5 milhões de toneladas.

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