Safra poderia ser financiada com crédito rotativo

Safra poderia ser financiada com crédito rotativo

Produtor teria dinheiro pré-aprovado e disponível para a hora em que quisesse, sem ficarsujeito à burocracia

NIZA SOUZA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2014 | 02h07

Mesmo com o que considerou muita burocracia, o produtor José Roberto Mortari, de Londrina (PR), financiou uma colhedora de grãos, há dois anos, pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). "O momento era ótimo, com a soja sendo vendida por R$ 70 a saca. Tinha de trocar a máquina velha, que quebrava muito", conta. "Sem esta linha, a juros baixos, não teria condições." Mortari é produtor de grãos (soja, milho, trigo e aveia) em 300 hectares. A nova colhedora facilitou o trabalho. "Reduzi perdas e o tempo de colheita de 45 para 30 dias."

Mais dinheiro. Segundo o Ministério da Agricultura, as contratações para o médio produtor pelo Pronamp subiram 27% no atual ciclo agrícola (2014/2015) comparado ao anterior e alcançaram R$ 2,4 bilhões em julho e agosto para o crédito de custeio. Já para o crédito de investimento, o programa aplicou R$ 563,6 milhões, 17% a mais do que no mesmo período do ano passado. Ao todo, o Pronamp conta com R$ 16,1 bilhões para a safra atual.

Mortari tem sugestões para o próximo presidente. "Este ano, a gente tinha boa expectativa para o trigo, mas o governo baixou a taxa de importação e inundou o mercado com o produto. Os Estados Unidos mandaram trigo para cá e o preço despencou. É preciso colocar pessoas capacitadas para trabalhar nos órgãos da agricultura. Se o governo não atrapalhar já está bom."

Obstáculos. "O despreparo dos agentes financeiros que solicitam documentos que muitas vezes não podem ser concedidos por falta de estrutura do Estado é um dos nossos maiores obstáculos", acrescenta o economista e consultor da área operacional da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Amado de Oliveira Filho.

Por isso, para ele, uma medida que facilitaria a vida do produtor seria o crédito pré-aprovado, ou rotativo - os recursos ficariam disponíveis o ano todo e o produtor poderia usá-los quando quisesse. A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja concorda com a proposta. "O crédito rotativo contribuiria para a redução dos casos de venda casada nos bancos e dos altos custos das operações devido ao registro do contrato em cartório e projetos."

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