Rafael Arbex/Estadão - 20/3/2019
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Safra 2021/22 caminha para produção recorde, estima IBGE

Levantamento aponta produção de 263 milhões de toneladas, aumento de 3,8% diante da safra anterior

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 10h07
Atualizado 08 de junho de 2022 | 14h51

RIO - O Brasil deve colher uma nova safra recorde este ano. A produção agrícola deve totalizar 263,0 milhões de toneladas, 9,7 milhões de toneladas a mais que o desempenho de 2021, um aumento de 3,8%. Os produtores brasileiros devem colher 72,3 milhões de hectares, 3,8 milhões de hectares a mais que em 2021.

Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de maio, divulgado nesta quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar de perdas no cultivo de soja, o País deve ter as maiores colheitas já vistas para o milho e o trigo. As safras de arroz e feijão, por ora, atendem ao consumo doméstico, disse Carlos Alfredo Guedes, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE.

A estimativa da produção de feijão, considerando-se as três safras, foi de 3,2 milhões de toneladas, alta de 15,0% ante 2021. A estimativa de produção do arroz é de 10,6 milhões de toneladas, queda de 8,4% em relação ao ano passado provocada por problemas climáticos no Rio Grande do Sul.

“A falta de chuvas foi tão severa que os produtores tiveram que fracionar a irrigação”, contou o gerente do IBGE, acrescentando que, ainda assim, a produção esperada está em linha com o consumo doméstico. “Mas também se tiver que importar alguma coisa a gente importa do Uruguai”, lembrou.

Principais produtos

O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos da safra brasileira, que, somados, representam 91,7% da estimativa da produção e 87,4% da área a ser colhida. A produção de soja deve somar 118,6 milhões de toneladas, uma redução de 12,1% em relação ao produzido no ano passado. Já a produção nacional de milho foi estimada em 112,0 milhões de toneladas, com crescimento de 27,6% ante 2021. A lavoura de milho 1ª safra deve somar 25,7 milhões de toneladas, um aumento de 0,2% em relação a 2021. O milho 2ª safra deve totalizar 86,3 milhões de toneladas, aumento de 38,9% em relação a 2021.

O algodão herbáceo deve alcançar uma produção de 6,7 milhões de toneladas, um avanço de 15,2% ante 2021. A produção nacional de trigo deve atingir um ápice de 8,879 milhões de toneladas este ano, um avanço de 13,6% em relação a 2021.

O gerente da pesquisa do IBGE Carlos Alfredo Guedes lembra que os preços do trigo estão em alta por causa da invasão da Rússia à Ucrânia, ambos os países produtores e exportadores de trigo, o que incentiva os agricultores brasileiros a investirem na cultura. O Brasil consome anualmente cerca de 12 milhões de toneladas de trigo, e costuma importar de países do Mercosul grande parte do complemento que necessita para atender à demanda doméstica, lembrou Guedes.

"Continuaremos importando, mas importando menos", disse Guedes.

A melhora na expectativa para o trigo nacional foi o que puxou o aumento na projeção da safra agrícola brasileira na passagem de abril para maio.

"O grande impacto deste mês foi realmente trigo", afirmou Guedes. "Quase um milhão de toneladas a mais", completou.

1,5 milhão de toneladas

O IBGE calcula que o Brasil colherá 1,5 milhão de toneladas a mais que o previsto em abril. No levantamento de maio, destacaram-se as variações positivas, em relação ao mês anterior, do trigo (12,1% ou 956,3 mil toneladas a mais), aveia (13,6% ou 137,1 mil toneladas), cevada (4,0% ou 18,1 mil toneladas), algodão em caroço (3,2% ou 207,7 mil toneladas), milho 1ª safra (1,6% ou 403,6 mil toneladas), feijão 3ª safra (1,4% ou 9,6 mil toneladas), feijão 1ª safra (1,4% ou 15,2 mil toneladas), café canéfora (0,8% ou 8,7 mil toneladas) e soja (0,1% ou 92,4 mil toneladas).

Na direção oposta, houve revisão para baixo nas estimativas para o café arábica (-5,9% ou -132,2 mil toneladas), feijão 2ª safra (-1,4% ou -18,6 mil toneladas), sorgo (-1,2% ou -36,1 mil toneladas) e milho 2ª safra (-0,3% ou -253,3 mil toneladas).

Os preços dos alimentos no País têm sido afetados por problemas climáticos, elevação de custos de produção e alta na cotação de commodities agrícolas no mercado internacional. No entanto, a tendência é que não haja nova rodada de pressões adiante, avaliou Carlos Alfredo Guedes.

O gerente do IBGE diz que o custo de produção aumentou “bastante”, devido à necessidade de importação de fertilizantes e do encarecimento do frete por conta dos combustíveis mais caros. “Mas soja e milho estão remunerando bem os produtores”, completou.

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