Safra será 0,72% menor que a passada

A safra 2002 dificilmente será maior do que a anterior, segundo estimativa do chefe do departamento de agropecuária do IBGE, Carlos Alberto Lauria. Segundo a projeção de setembro divulgada hoje pelo instituto, a atual safra será 0,72% menor do que a passada (98,54 milhões), atingindo 97,83 milhões de toneladas. O argumento de Lauria é que as únicas perspectivas de mudanças na projeção, que são o restante da colheita do trigo no Paraná e a quase totalidade da colheita do produto no Rio Grande do Sul, tendem a apresentar alguma queda em relação às estimativas de setembro, já que problemas climáticos estão prejudicando produtores de ambas as regiões. A colheita de trigo desta safra 2002 - estimativa de 3,63 milhões de toneladas, 11,5% superior à safra anterior - será recorde pelo menos dos últimos 10 anos, segundo destacou o chefe do departamento de agropecuária do IBGE, Carlos Alberto Lauria. O recorde ocorrerá apesar da revisão de estimativa de colheita do produto, com queda de 13,4% de agosto para setembro. Apesar da colheita estimada, o Brasil deverá manter neste ano a importação de cerca de 7 milhões de toneladas de trigo, como ocorreu no ano passado. Segundo lembrou Lauria, a diferença entre a necessidade de consumo e o total produzido no País é um dos principais fatores responsáveis pelos aumentos de preços que vêm sendo registrados em produtos derivados do trigo em conseqüência da alta do dólar, como pão francês e macarrão. A tendência para a safra 2003 é de novo aumento da colheita de soja, segundo estimativa do chefe do departamento de agropecuária do IBGE, Carlos Alberto Lauria. O produto já responde por mais de 40% da safra nacional de grãos e neste ano deverá ter colheita 11,2% superior ao ano passado, atingindo 41,9 milhões de toneladas. Para Lauria, a possível ampliação da safra de soja provocará novas reduções nas colheitas do milho (nesta safra já haverá redução de 16,6% ante a safra anterior) e do algodão (queda de 17% nesta safra). Segundo ele, o aumento continuará ocorrendo por causa da "fácil liquidez" do produto, vinculado à exportação. Ele disse que o aumento da colheita de soja não deve ser analisado como um fator essencialmente negativo, mas alertou que "a monocultura não é boa para a agricultura do País".

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