Safra terá R$ 107,5 bi de imediato

No anúncio do plano, Stephanes diz que governo estará vigilante no desembolso dos recursos

Márcia De Chiara, Sandra Hahn, Célia Froufe e Gustavo Porto, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que os R$ 107,5 bilhões de recursos para a safra 2009/2010 estarão disponíveis quase que imediatamente para os agricultores compararem os insumos para o plantio. A afirmação foi feita ontem na apresentação do Plano Agrícola e Pecuário no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina, no Paraná.Segundo o ministro, em épocas de crise, os bancos ficam avessos ao risco."E a agricultura é uma atividade de risco. Em épocas de crise há uma certa dificuldade." Mas Stephanes frisou que o governo será vigilante com o desembolso dos recursos. Ele citou como exemplo o caso de Antonio Francisco Lima Neto, ex-presidente do Banco do Brasil, que foi demitido pelo fato de não ter cumprido a determinação do governo de reduzir as taxas de juros.Stephanes disse também que, em relação ao Fundo Garantidor de Crédito, que funcionaria como uma espécie de avalista para os produtores endividados, o assunto está em debate. "Ainda não há uma decisão final. Isso deverá ocorrer ao longo deste ano."O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que anunciou o plano de safra com Stephanes e os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Dilma Rousseff (Casa Civil), enfatizou o potencial da agricultura especialmente neste momento de crise econômica. Lula comparou os Estados Unidos e a Europa a dois ursos hibernando: "Quando eles acordarem, vão querer comprar coisas. Por isso, o Estado tem de se preocupar com a agricultor".Lula ressaltou que esse aporte de recursos para a agricultura é o maior já realizado e que foi 37% acima do disponibilizado na última safra. Lembrou também que o programa "Mais Alimentos", que estimula a mecanização de propriedades familiares, já propiciou a venda de 11 mil tratores em 10 meses, 75% da produção de tratores do País.O presidente apontou outro dado que reforça a tese de que a agricultura é o caminho para a retomada da economia. Dos 131 mil empregos criados em maio, segundo o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), 53 mil postos de trabalho foram abertos na agricultura, 49 mil no setor de serviços, 17 mil na construção civil e 14 mil no comércio.REPERCUSSÃOO plano de safra , anunciado ontem, vem ao encontro da maior parte das solicitações da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO). "Minha preocupação é com a burocracia para se colocar o plano em prática."A senadora está tão reticente com os trâmites existentes entre o anúncio do plano e a chegada dos recursos no interior dos Estados, nas mãos dos agricultores e pecuaristas, que ela afirmou que só fará um balanço do plano daqui a um mês. "Estou com boas perspectivas e não quero fazer alarde, chororô, nem crítica antecipada, mas será que vai tirar de verdade o produtor do buraco", questionou a presidente da CNA, sobre o fluxo de tomada de dinheiro pelo agricultor.Para o secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, João Sampaio, "o governo federal anunciou mais do mesmo". "Faltou ousadia na definição do plano e muitos pontos deixaram de ser anunciados, ou foram requentados", avaliou o secretário Sampaio.

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