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Sai Greenspan, entra Bernanke no BC norte-americano

O plenário do Senado dos EUA deve votar hoje a nomeação de Ben Bernanke como presidente do Fed, o banco central dos Estados Unidos, no lugar de Alan Greenspan, que deixa o posto depois de participar de sua última reunião para reavaliar a taxa de juros do país. A votação deve acontecer às 17h30 (horário de Brasília). Depois de mais de 18 anos no cargo, Greenspan entregará a Bernanke o comando de uma economia com um crescimento moderado e uma inflação contida, mas com grandes desajustes: um déficit comercial recorde que ameaça desvalorizar o dólar e uma grande dívida pública e privada.Os pontos obscuros podem provocar uma crise econômica nos EUA com conseqüências para o mundo inteiro, já que o país é o maior consumidor do planeta. Por isso, uma mudança na presidência do Fed é um motivo de preocupação nos mercados, especialmente porque quem a deixa é Greenspan, que havia conquistado a confiança quase cega dos mercados por sua boa mão para dirigir a economia.É por isso que Bernanke prometeu "continuidade" em sua primeira aparição pública depois da designação para o cargo. A partir de quarta-feira, o novo presidente do Fed deverá mostrar que levará a luta contra a inflação tão a sério quanto seu antecessor.Além disso, terá de provar que se manterá firme diante de interferências políticas, já que sempre convém ao governo uma redução dos juros a curto prazo que estimule a economia, apesar de esta postura alimentar a inflação médio prazo.Problemas para administrarGreenspan sofreu e resistiu a esta pressão no início de seu mandato, e a viu desaparecer nos anos 1990. No entanto, muitos recriminam seu apoio aos cortes de impostos do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, porque acham que estes agravaram a dívida pública do país.As contas públicas não são as únicas que se encontram no vermelho nos EUA. Em 2005, a taxa da poupança caiu para 0,5% negativos, ou seja, os americanos gastaram mais do que ganharam depois de pagar seus impostos, informou o Departamento de Comércio. Este número só é comparável aos de 1932 e 1933, anos nos quais os EUA sofriam com a Grande Depressão.Os especialistas atribuem a taxa negativa ao boom imobiliário, que ao valorizar as casas dos americanos os fez se sentirem "mais ricos" e capazes de gastar mais. No entanto, há sinais de que o encarecimento das hipotecas esfriou o mercado de imóveis, pois a taxa de juros de referência do Fed passou de 1% em junho de 2004 para 4,25% atualmente e, confirmadas as expectativas do mercado, passarão para 4,5% hoje."Existe muita preocupação sobre os valores imobiliários", disse Robert Cumby, professor da Universidade Georgetown, acrescentando que sua estagnação e queda poderia afogar a demanda dos consumidores, que representa três quartos da economia dos EUA.Outro grande risco é o déficit comercial, que registra um recorde após outro. De janeiro a novembro de 2005, ultrapassou os US$ 660 bilhões, mais do que o déficit total de 2004. Os especialistas temem que o desajuste provoque uma queda drástica do dólar, o que elevaria a inflação ao encarecer importações como o petróleo.PromessasBernanke não entrou em detalhes sobre como abordará estes problemas. O que prometeu é mais transparência nas operações do Fed. Em sua carreira como acadêmico, Bernanke defendeu que o Federal Reserve estabeleça uma meta explícita de inflação, como faz o Banco Central Europeu (BCE), cujo objetivo é uma taxa "próxima, mas abaixo de 2%".Mas a mudança não será fácil. "Sou totalmente oposto a metas inflacionárias", disse Lee Price, diretor de pesquisa do Instituto de Política Econômica, que apontou o fraco crescimento europeu como prova dos erros da política do BCE.Por sua vez, Kathleen Stephansen, do banco de investimentos Credit Suisse First Boston, destacou que "é fácil ser transparente quando se sabe que é preciso subir (as taxas) de 1% para 4%". "É mais complicado quando se aproxima do ponto neutro (no qual se busca uma política monetária que não freie nem estimule a economia) e acho que este é um dos desafios do senhor Bernanke", acrescentou.BC dos Estados Unidos decide hoje se eleva os juros

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2006 | 07h29

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