Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Bastidores: Saia-justa entre Waldery e Mansueto evidencia divergências na equipe econômica

Na hierarquia, secretário do Tesouro Nacional é subordinado a secretário especial de Fazenda, mas Mansueto tem canal direto com Paulo Guedes

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2019 | 20h34

BRASÍLIA - O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, provocou nesta terça-feira, 3, uma saia-justa na equipe econômica ao declarar que o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, deixaria o cargo.

A fala de Waldery acabou por expor publicamente divergências entres os dois. A declaração do secretário especial de Fazenda, durante entrevista à Bloomberg, causou desconforto porque ocorreu pouco tempo depois de Mansueto ter acertado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sua permanência no cargo por mais um período.

Um dos mais influentes integrantes do time que assessora Guedes e considerado pelos investidores um dos fiadores do processo de consolidação do ajuste fiscal, Mansueto tem tido divergências frequentes com Waldery.

O distanciamento entre os dois alimentou rumores, ao longo dos últimos meses, entre os técnicos, de que Mansueto sairia do cargo, o que foi negado pelo Ministério da Economia e pelo próprio secretário do Tesouro.

O caso levou Waldery e Mansueto a irem juntos até a sala do Comitê de Imprensa do Ministério da Economia, onde ficam os jornalistas que fazem a cobertura diária, para afastar os ruídos que mexeram com o mercado. A operação abafa foi montada pela área de comunicação de Guedes, preocupada que a notícia dada por Waldery se espalhasse. 

Após a fala de Waldery à agência Bloomberg, Mansueto garantiu, em entrevista ao Estadão/Broadcast, que ficaria no cargo, mas não escondeu o incômodo com a declaração do secretário especial de Fazenda.

Na hierarquia do Ministério da Economia, Mansueto é subordinado a Waldery, mas o secretário do Tesouro tem canal direto com Paulo Guedes. A interlocutores, Guedes disse que a saída de Mansueto era “fake news”.

Em reunião recente, o ministro juntou os dois auxiliares para acertar os “ponteiros”. Ficou acertado que Mansueto ficaria no Tesouro por mais tempo, apesar da sua intenção de deixar o cargo. Guedes propôs a Mansueto que acumulasse também o cargo de secretário-executivo do Conselho Fiscal da República, órgão previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo, que mal começou a tramitar no Senado.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, o adjunto de Waldery na Secretária Especial de Fazenda, Esteves Colnago, também pediu para deixar a equipe do secretário. Colnago será transferido para o gabinete de Guedes e deve reforçar o time da articulação com o Congresso para aprovação do rol de reformas enviadas pela equipe econômica. 

Ex-ministro do Planejamento no governo Michel Temer, Colnago trabalhou na elaboração do texto das propostas e ganhou a confiança de Guedes. O ministro por outro lado, vai transferir para a equipe de Waldery seu assessor especial, Caio Megale.  Segundo fontes, Megale será absorvido no lugar de um dos diretores que irá para a vaga de Colnago.

Waldery é considerado um integrante que trabalha na "defesa", com perfil muito centralizador. Ele foi convidado para o cargo depois de Mansueto ter preferido ficar no Tesouro, durante a transição. A saída de Colnago de sua equipe é considerada pelos técnicos uma perda muito grande para a gestão fiscal, situação que se agravaria com uma eventual saída de Mansueto.

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