Saiba como foi a semana em Economia & Negócios

Destaques foram o anúncio do governo de novo corte no Orçamento para tentar cumprir a meta fiscal de 2017, redução da Selic para um patamar de um dígito após quatro anos, e a divulgação de balanços de grandes empresas do País

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 21h08

Na semana entre os dias 24 e 28 de julho, as principais notícias de Economia & Negócios foram o anúncio do governo de realizar um novo corte do Orçamento para tentar cumprir a meta fiscal de 2017, a decisão do Banco Central em reduzir mais vez a taxa básica de juros, a Selic, e a divulgação dos balanços de algumas das maiores empresas do País listadas no Índice Bovespa. 

A despeito do aumento das incertezas sobre o andamento das reformas estruturais, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade na quarta-feira, 26, reduzir a Selic (a taxa básica de juros) em 1 ponto porcentual, de 10,25% para 9,25% ao ano. O corte foi o sétimo consecutivo e coloca a Selic novamente em um dígito após quase quatro anos. Este é o menor patamar para a taxa desde agosto de 2013, quando estava em 9,00% ao ano.

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Poucos minutos após o anúncio do Copom, o presidente Michel Temer usou o Twitter para comemorar a decisão. "Juros abaixo de um dígito pela 1ª vez em 4 anos. Menor inflação em uma década. Com responsabilidade, estamos mudando o Brasil para melhor", escreveu.

 

 

Na quinta-feira, 27, o governo anunciou uma nova tesourada sobre o Orçamento de 2017, que atingiu em cheio os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com o novo contingenciamento os valores destinados a essas despesas vão cair praticamente à metade: dos R$ 36,1 bilhões previstos na Lei Orçamentária para este ano apenas R$ 19,7 bilhões estão disponíveis. A redução total, após dois sucessivos bloqueios, chega a 45,4%. 

Os cortes de despesas vão atingir mais fortemente os Ministérios da Integração, das Cidades e dos Transportes. Veja abaixo: 

 

Pressionado pelo risco de não conseguir fechar as contas públicas neste e no próximo ano, o governo lançou na segunda-feira, 24, um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para os servidores civis do Executivo. Pelos cálculos do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, o governo poderá economizar cerca de R$ 1 bilhão por ano com a iniciativa. O último PDV foi feito no governo Fernando Henrique Cardoso.

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A expectativa é que pelo menos 5 mil servidores participem do programa – aproximadamente 1% do total. O governo vai oferecer 1,25 salário por ano de trabalho do servidor que aderir ao PDV. A indenização será isenta de recolhimento de Imposto de Renda (IR) e de contribuição ao regime próprio de Previdência, de acordo com a minuta da MP obtida pelo Estadão/Broadcast.

Confira outros destaques da semana:

Mercado de trabalho. O aumento da informalidade fez a taxa de desemprego cair pela primeira vez desde o fim de 2014: passou de 13,7% no primeiro trimestre do ano para 13% entre abril e junho. Nesse período, 690 mil pessoas deixaram a fila do desemprego e a população ocupada voltou ao patamar de 90 milhões de trabalhadores pela primeira vez em seis meses. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) foram divulgados na sexta-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Sem dúvida, esse é um movimento positivo, mas está marcado por postos de trabalho não registrados. O mercado cresceu, mas pela informalidade”, explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. Na comparação com o primeiro trimestre, três situações deixam isso bem claro: foram fechadas 75 mil vagas com carteira assinada. Ao mesmo tempo, 442 mil pessoas começaram a trabalhar sem carteira no setor privado e outras 396 mil aderiram ao trabalho por conta própria.

Repatriação de recursos. A Receita Federal está fazendo um pente-fino no programa de repatriação – que permite a regularização de recursos enviados ao exterior. Contribuintes suspeitos de terem declarado dinheiro de origem ilegal serão intimados já a partir de agosto e setembro. O foco da Receita são pessoas com rendimento incompatível com o patrimônio declarado. Quem não comprovar a regularidade dos ativos declarados será excluído do programa e os dados informados serão usados em investigações.

 

 

Na quarta-feira, 26, reportagem do Estado também apontou que a menos de uma semana do fim do prazo, os contribuintes que aderiram à segunda etapa da repatriação declararam ativos que renderam apenas R$ 1,027 bilhão aos cofres públicos. A arrecadação, no entanto, poderá ser ainda menor, já que o pagamento só é feito no último dia. Até segunda-feira, foram entregues 1.107 declarações. A última estimativa do governo é arrecadar R$ 2,9 bilhões com a entrega de cerca de 2.500 declarações. Apesar do ritmo lento, a avaliação é que a maior parte dos contribuintes deixa para fazer a entrega nos últimos dias.

Balanços trimestrais. A semana foi agitada na Bolsa de Valores que contou com a divulgação dos balanços trimestrais de algumas das maiores empresas listadas no Índice Bovespa. A  mineradora Vale fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 60 milhões, queda de 98,3% em relação ao mesmo período de 2016. O resultado veio bem abaixo das expectativas do mercado e foi pressionado pela queda do preço do minério de ferro, por ajustes contábeis e pela valorização do dólar em relação ao real, que afeta o resultado financeiro.

Dois dos principais bancos de varejo também divulgaram seus resultados trimestrais nesta semana. O Bradesco reportou lucro líquido ajustado de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro semestre, o banco lucrou R$ 9,35 bilhões, avanço de mesmo porcentual sobre o resultado de um ano atrás. O balanço foi recebido sem surpresas por investidores, e as ações fecharam em queda hoje: baixa de 0,13% no papel preferencial e de 1,01% no ordinário.

 

 

Já o Santander anunciou lucro líquido gerencial, que não considera ágio, de R$ 2,335 bilhões no segundo trimestre deste ano, cifra 29,29% maior que a registrada em idêntico intervalo do ano passado, de R$ 1,806 bilhão. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, quando a cifra foi de R$ 2,280 bilhões, o lucro do banco espanhol cresceu 2,4%.

A Ambev diminuiu em 1,3% as vendas em volume de cerveja no Brasil nos meses de abril a junho deste ano ante igual período do ano passado. A queda, segundo a companhia, foi menor que a da média da indústria de cerveja. Com isso, o lucro líquido ajustado da Ambev no segundo trimestre foi de R$ 2,141 bilhões, 2,4% menor do que no mesmo período de 2016.

Novo código de mineração. As mudanças propostas pelo governo para o novo marco da mineração devem elevar a arrecadação com royalties em 80%, de acordo com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Em 2016, o governo arrecadou R$ 1,8 bilhão com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), taxa que incide sobre os minérios.

Se a estimativa estiver correta, as receitas com o royalty do setor devem subir R$ 1,44 bilhão, atingindo R$ 3,24 bilhões em 2018. A divisão desses recursos não será alterada: 12% ficam com a União, 23% com Estados e 65% com municípios.

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