Saiba como foi a semana na economia

Enquanto o governo sofre duas derrotas consecutivas com a reforma da previdência no Senado, preços dos alimentos caem e inflação de junho deve ser a mais baixa para o mês em 11 anos

O Estado de S.Paulo

24 Junho 2017 | 02h13

A semana começou com economistas prevendo para o mês de junho a primeira deflação em 11 anos. Segundo estimativa de especialistas consultados pelo Banco Central, o IPCA deve encerrar o mês em queda de 0,07%. Essa perspectiva foi reforçada pela divulgação do IPCA-15, considerado uma prévia da inflação. O indicador teve leve alta de 0,16% em junho e ficou também no menor patamar para o mês em 11 anos.

Porém, mesmo com as projeções cada vez menores para a inflação em 2017, o Banco Central deixou incerta a possibilidade de reduzir o ritmo de corte na taxa básica de juros, a Selic. Em seu Relatório Trimestral de Inflação, o BC considerou que a instabilidade política e a dificuldade do governo em tocar as reformas podem influenciar as decisões do colegiado. Para analistas, porém, o tom adotado pela instituição no documento foi mais suave, o que abre possibilidade para um novo corte de 1 ponto porcentual na próxima reunião do Copom, no fim de julho. Atualmente, a Selic está em 10,25% ao ano. Parte do mercado já vê a taxa básica de juros a 8,5% ao ano ao fim de 2017.

Falando em turbulência política, o governo sofreu duas derrotas seguidas no Senado durante as etapas intermediárias da tramitação da reforma trabalhista. O documento foi rejeitado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) por 10 votos a 9 e a oposição conseguiu mais prazo para discutir o tema. Além disso, a votação em plenário, dada como certa na próxima semana, deve ocorrer apenas na primeira semana de julho, antes do recesso parlamentar. O revés sofrido pelo governo no Senado foi destacado pelo jornal britânico "Financial Times", que afirmou que Temer sofreu um golpe na Casa. 

Sobre a reforma da Previdência, o calendário ainda não foi fechado e o governo já começou a considerar algumas alternativas, incluindo mudar o projeto relatado pelo deputado Arthur Maia (PPS-BA).

A viagem do presidente à Rússia e a Noruega para reuniões com autoridades e investidores foi apontada como uma distração diante das votações da reforma trabalhista no Senado. Em Moscou, Temer afirmou que a vitória do governo é "certíssima". Além disso, o presidente também afirmou que a taxa de juros deve cair para um dígito "em brevíssimo tempo".

Carne embargada. Os Estados Unidos barraram a compra de carne bovina brasileira até que o Ministério da Agricultura do Brasil adote ações “corretivas” para atender as exigências do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). 

Quando o escândalo da operação Carne Fraca estourou, os EUA mantiveram as importações do Brasil, enquanto outros países as suspenderam. De acordo com nota do Departamento de Agricultura, desde que a operação foi revelada, em março, as autoridades sanitárias americanas estavam reinspecionando 100% dos carregamentos de carne enviados pelo Brasil. Nesse período, os EUA rejeitaram 11% dos produtos.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que a medida se deu por pressão de produtores americanos.

Cannes Lions 2017. O Brasil já levou mais de 70 prêmios no Festival Internacional de Criatividade de 2017 e, ainda com metade das categorias a terem seu vencedor revelado, ficou perto de atingir os 90 prêmios conquistados no ano passado. A plataforma "De Real para a Realidade", desenvolvida em parceria do Estadão com a agência FCB, também foi premiada. A ação permite quantificar em serviços públicos os valores desviados por atos de corrupção.

Polêmica. A semana terminou com o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, flagrado chamando funcionários da estatal de "inúteis" e "vagabundos". A divulgação de uma conversa do executivo com sindicalistas foi feita com exclusividade pelo Estadão/Broadcast e gerou mal-estar na empresa, a ponto de o executivo se ver obrigado a gravar uma fala na televisão interna pedindo desculpa pela “veemência” com que se referiu ao que considera “privilégios” na estatal.

A companhia decidiu cortar o ponto dos funcionários que participaram de uma paralisação de 24 horas na quinta-feira, 22. O corte foi divulgado informalmente aos empregados e confirmado por uma fonte da empresa que não quis ser identificada. Sindicalistas enxergam na medida uma retaliação ao vazamento de áudios. Apesar da polêmica, Ferreira Júnior irá permanecer no cargo.

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