SAIBA MAIS-Prováveis impactos de um acordo mundial do comércio

Ministros do Comércio de váriospaíses negociam em Genebra a redução das barreiras sobre aexportação de produtos agropecuários e manufaturados, tentandoassim concluir um processo multilateral iniciado há quase seteanos. Leia abaixo um resumo dos impactos em potencial dasnegociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre aRodada de Doha. As previsões baseiam-se em pesquisas dosespecialistas Bernard Hoekman, Will Martin, Aaditya Mattoo eRichard Newfarmer, todos do Banco Mundial: LIMITE ÀS MEDIDAS PROTECIONISTAS As negociações de Doha visam principalmente fixar limitesmáximos para as tarifas e os impostos que os governos podembaixar sobre produtos importados, abarcando desde algodão acarros. Pelo acordo, o limite médio -- ou o máximo permitido -- dastarifas para produtos agropecuários cairia para 30 por cento oumenos, ao passo que as tarifas sobre produtos não-agrícolascairia para 5 por cento, estimou o Banco Mundial, ressaltandoque as políticas protecionistas que atingem os serviçosinternacionais também seriam reduzidas. "A história está repleta de casos nos quais os governos,livres da obrigação de observar limites, aumentamsignificativamente as barreiras protecionistas em detrimento deseus parceiros comerciais. Tendo isso em vista, a redução dosníveis máximos permitidos para a proteção significa umresultado importante", afirmaram. DIMINUIÇÕES REAIS NAS PROTEÇÕES ATUAIS As tarifas cobradas atualmente sobre os produtos importadostambém diminuiriam, mas em uma escala menor do que o tetomáximo dos tributos, disseram os economistas do Banco Mundial. Segundo estimativa deles, nos países desenvolvidos, osimpostos sobre os produtos agrícolas cairiam dos atuais 15 porcento para 11 por cento, ao passo que, nos mercados emdesenvolvimentos, as tarifas agrícolas continuariampraticamente inalteradas. Atualmente, os impostos sobre os produtos não-agrícolas jásão em média muito menores do que os que se aplicam aosprodutos agrícolas -- a média mundial é de apenas 2,9 por cento--, mas há algumas exceções, impedindo que haja competiçãodentro de alguns setores. Segundo as propostas debatidas em Genebra, as tarifas maisaltas seriam as que mais cairiam. Em ambas as áreas, tirando-se os casos excepcionais a seremfornecidos tanto para países ricos como pobres, a média datarifa aplicada sobre os produtos comercializados deve cair de3,7 por cento para 2,9 por cento, afirmou o relatório do BancoMundial. "Isso implica que as tarifas cairiam globalmente em umamédia de quase um terço, um resultado em nada insignificante." CORTE DOS SUBSÍDIOS As negociações da Rodada de Doha incluem também uma reduçãoacentuada na quantidade de dinheiro ou de ajuda que os governospodem conceder a seus exportadores de produtos agrícolas,proibindo que os incentivos hoje em um nível relativamentebaixo possam ser elevados no caso de o preço das commoditiescair no futuro. Dentro da União Européia (UE), o nível permitido para ossubsídios agrícolas seria reduzido em 70 por cento, ao passoque nos EUA, essa queda seria de 60 por cento, afirmou o BancoMundial. "Esses são passos importantes para reduzir a incerteza dosprodutores dos países em desenvolvimento e devem incentivar oinvestimento na agricultura", afirmaram os especialistas.

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