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Saída de ´corralito´ para bônus não entusiasma argentinos

Sem entusiasmo por parte da população, começou nesta terça-feira o prazo para que os correntistas que possuam depósitos presos dentro do ?corralito? (semicongelamento de depósitos bancários) possam trocá-los por bônus fornecidos pelo Estado, com prazos que oscilam entre três e dez anos. A troca voluntária dos depósitos foi a forma que o governo do presidente Eduardo Duhalde encontrou para tentar reduzir os conflitos causados pelo ?corralito?.Diversos analistas consideram que a troca não entusiasmará mais de 30% dos correntistas. Os bancos admitiram que, no primeiro dia da troca, a procura por informações foi mínima. Com a troca, o governo pretende deter a sangria de depósitos que os bancos estavam sofrendo por causa dos milhares de processos na Justiça contra o confisco.Esses processos causaram a saída de 3,1 bilhões de pesos nos primeiros cinco meses deste ano. Por este motivo, os bancos exigiram a criação de um plano que contivesse a drenagem de depósitos. Os bancos afirmavam que corriam risco de ficar sem liquidez e que poderia ocorrer uma falência generalizada de instituições financeiras.A aceitação dos bônus também vai condicionar a emissão monetária do governo, já que terá que emitir um volume maior ou menor, dependendo da quantidade de redescontos que for necessária para atender os bancos atingidos pela saída de depósitos. O sistema bancário argentino não ficou satisfeito com o plano do governo, já que será voluntário, e não compulsório.O governo Duhalde preferiu uma modalidade voluntária, já que temia que uma versão obrigatória pudesse aumentar mais ainda a intensidade dos protestos dos correntistas, que diariamente se manifestam contra o governo e os bancos. Dessa forma, com uma saída híbrida, o presidente Duhalde continua sem conseguir o respaldo dos bancos e tampouco da população.O governo oferece três bônus em troca dos depósitos. Um deles, em pesos, tem prazo de cinco anos. Outro bônus, em dólares, possui prazo de dez anos. Além destes dois, existe outro bônus, destinado exclusivamente a casos especiais, para pessoas acima de 75 anos, pessoas com graves doenças ou aquelas que tiverem contas congeladas com dinheiro de indenizações trabalhistas ocorridas antes de junho do ano 2000.Os bônus poderão ser utilizados para a compra de bens do Estado, imóveis que estejam em construção, pagamento de impostos, dívidas bancárias e compra de automóveis zero quilômetro. Mas tornar-se proprietário de um pedaço de título de um Estado que está no meio de uma suspensão de pagamentos que não se sabe quando terminará não está atraindo os desconfiados argentinos.Eles têm uma lembrança ainda viva do Plano Bonex, de 1990, que implicou a troca compulsória dos prazos fixos por bônus. Nos primeiros meses, o títulos Bonex somente conseguiam 30% de seu valor. Somente depois, com a reativação econômica argentina da primeira metade dos anos 90, os Bonex começaram a ter uma rentabilidade que os tornou atraentes.O problema para o governo Duhalde é que a maior parte dos argentinos não acredita que desta vez o país possa ter uma recuperação econômica nem a curto nem a médio prazo. Além disso, suspeitam de que o Estado argentino não lhes devolverá o dinheiro que for transformado em títulos.O prazo para que os correntistas decidam se aceitam os bônus ou se ficam com seus depósitos congelados tal como estão termina no dia 16 de julho. Aqueles que não aceitarem os bônus terão que esperar até janeiro do ano que vem para começar a receber, de forma gradual seus depósitos.Mas aqueles que ficarão com os depósitos retidos nos bancos, tampouco têm certeza de que conseguirão seu dinheiro de volta. O economista Daniel Artana afirmou que, antes de trocar seus depósitos por bônus, as pessoas ?esperarão um tempo?. No total, existem 60 bilhões de pesos retidos dentro do ?corralito?, dos quais 20 bilhões são em contas correntes, e 32 bilhões em prazos fixos.Leia o especial

Agencia Estado,

18 de junho de 2002 | 21h29

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