Saída de estrangeiro leva Bolsa a cair 3%

Com o resultado de hoje, o índice contabiliza um declínio de 8,83% no mês e de 7,22% no ano

03 de julho de 2008 | 17h44

A ausência de operações no mercado financeiro norte-americano amanhã motivou vendas defensivas de estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quinta-feira, derrubando o principal índice da Bolsa paulista ao menor patamar deste 20 de março (58.987,3 pontos). O Ibovespa encerrou hoje em queda de 3,00%, aos 59.273,4 pontos - tendo variado da mínima de 59.243 pontos (-3,05%) à máxima de 61.601 pontos (+0,81%). O volume financeiro somou R$ 5,003 bilhões (preliminar). Com o resultado de hoje, o índice contabiliza um declínio de 8,83% no mês e de 7,22% no ano.  A Bolsa paulista chegou a oscilar em terreno positivo no início dos negócios, mas ainda na parte da manhã já passou para o território negativo - onde permaneceu ao longo do dia, descolada de suas pares norte-americanas. Indicadores de emprego e do setor de serviços mostrando uma economia ainda mais fraca nos EUA não chegaram a afetar o humor dos investidores em Wall Street. Desta vez, os participantes daquele mercado preferiram a leitura de que com o ritmo de atividade debilitado diminuem as chances de o Federal Reserve elevar o juro naquele país.  O mercado de trabalho norte-americano reduziu em 62 mil o número de vagas oferecidas em junho. A revisão dos economistas era redução de 55 mil. O dado de maio foi revisado em baixa, para redução de 62 mil vagas, de corte de 49 mil divulgado anteriormente. Além disso, O índice composto de serviços ISM caiu a 48,2 em junho, de 51,7 em maio e veio abaixo dos 50,5 esperados por analistas.  Nesse contexto, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,65% e o S&P-500 aumentou 0,11%. O Nasdaq foi a exceção e terminou em baixa de 0,27%. As bolsas nos EUA encerraram as operações mais cedo hoje por causa do feriado de amanhã naquele país, pelo Dia da Independência. E esse foi o grande argumento no mercado brasileiro para uma venda forte de papéis. Diante do quadro ainda bastante turbulento e cheio de incertezas no ambiente internacional, ninguém quer passar um fim de semana prolongado posicionado. O problema é que essa falta de horizonte para os investidores também leva esses agentes a adotarem níveis de stop loss curtos, o que deixa o mercado mais sensível ainda. E foi justamente isso o que acelerou as vendas à tarde. No mercado futuro, houve ordens de stop loss depois que índice para agosto rompeu o suporte dos 60.600 pontos. Às 17h20, ele marcava 59.990 pontos. E isso acaba batendo nas operações à vista.  No caso do mercado à vista, há ainda as ordens de stop loss sobre os papéis. E, por se tratar de vendas de estrangeiros, as ações da Petrobras e da Vale não escaparam nesta sessão. Nem o novo recorde do petróleo foi capaz de impedir o declínio de Petro ON (-3,98%) e Petro PN ( -3,25%). Na Nymex, o contrato do óleo para agosto fechou a US$ 145,29, em alta de 1,20%. As ações da Vale recuaram 2,38% as ON e 1,59% as PNA. Novos dados de fluxo de estrangeiro da Bolsa referendam a percepção de saída desses agentes do mercado acionário brasileiro. A Bovespa fechou o mês de junho com a saída de R$ 7,415 bilhões em capital externo, resultado de compras de R$ 45,557 bilhões e vendas de R$ 52,972 bilhões. Em 2008, o saldo negativo chega a R$ 6,656 bilhões.  No Ibovespa, as maiores baixas foram registradas por Gol PN, com declínio de 8,53%, Gerdau Metalúrgica PN, com queda de 6,50%; e TAM PN, com decréscimo de 5,96%. No outro extremo, entre as poucas elevações: Telemar Norte Leste PNA subiu 2,24%, Transmissão Paulista PN aumentou 0,79% e JBS ON ganhou 0,62%.

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