Saída de recursos pelas CC-5 atinge US$ 1,633 bi

A saída de recursos do País pelas contas de não residentes, as CC-5, se intensificou em agosto, atingindo US$ 1,633 bilhão, 30,7% a mais do que o US$ 1,249 bilhão registrado em julho, segundo números do Banco Central (BC). Nos oito primeiros meses deste ano, já saíram US$ 5,464 bilhões por essas contas, o equivalente a 89,4% das remessas registradas em todo o ano passado, que totalizaram US$ 6,110 bilhões. Para o economista Fábio Akira, do banco JP Morgan, boa parte da saída de dinheiro pelas CC-5 se deve ao fato de que muitas empresas usam essas contas para recomprar seus títulos no exterior, em muitos casos negociados com descontos expressivos. Akira lembra que o próprio presidente do BC, Armínio Fraga, dissera isso na terça-feira, em teleconferência realizada pela Agência Estado. Fraga afirmara ainda que o volume de saídas em agosto seria próximo ao registrado em julho. Segundo Akira, esse movimento das empresas, que tem um impacto negativo sobre o câmbio num primeiro momento, deve implicar uma redução da dívida externa privada. O economista de um banco estrangeiro diz que muitas empresas enviam o dinheiro pelas CC-5 para recomprar as dívidas por razões fiscais: dependendo do prazo do título emitido no exterior, há isenção de Imposto de Renda, que pode ser perdida se o papel for recomprado antes do vencimento por outros canais. Por isso, algumas companhias remetem os recursos pelas CC-5, diz ele. Parte das remessas, no entanto, se refere à saída de recursos de pessoas físicas, que enviam o dinheiro para o exterior principalmente por causa das incertezas políticas. Akira entende que os números, embora estejam subindo a cada mês, ainda não são muito preocupantes. Ele lembra que em setembro de 1998, um pouco depois do calote russo, as saídas pelas CC-5 atingiram US$ 8,5 bilhões. Os números divulgados pelo BC mostram ainda que o câmbio comercial contratado registrou um fluxo positivo de US$ 1,718 bilhão em agosto. O câmbio financeiro - pelo qual passam operações de remessas de juros, lucros e dividendos, por exemplo - ficou negativo em US$ 2,243 bilhões.

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