Saída dos EUA do TPP abre janela de oportunidades

Na análise da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o impacto positivo dessa mudança não será imediato nem líquido e certo

Marcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2017 | 05h00

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Parceria Transpacífico (TPP), bloco comercial formado por 12 países da América, Ásia e Oceania, que negociaria seus produtos com benefícios tarifários dentro do grupo, pode abrir uma janela de oportunidade para as exportações do agronegócio brasileiro.

Mas, na análise da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o impacto positivo dessa mudança não será imediato nem líquido e certo, se o País não agir rapidamente para atingir esse objetivo. A receita dos principais produtos agropecuários exportados para o bloco entre 2012 e 2014 somou, em média, US$ 13,1 bilhões, segundo a entidade.

Gabriela Coser, assessora econômica e de relações internacionais da CNA, destaca que o Brasil, agora com o conhecimento das regras adotadas no acordo, deve correr para fechar negociações bilaterais com os países do bloco, usando as informações de competitividade que são públicas para abrir esses mercados. “Trata-se de uma oportunidade, mas tudo é muito incerto”, afirma a economista, ponderando que, se nada for feito, o impacto da saída dos EUA pode ser negativo.

É bem verdade que, com a saída dos EUA, o acordo não deve entrar em vigor, mas os demais países manifestaram intenção de avançar nas negociações. Isso poderia, segundo Gabriela, fazer com que o Brasil perdesse a oportunidade de abocanhar esses mercados, já que as compras ocorreriam dentro do próprio bloco. 

Pilar. Essa reviravolta ganha importância especialmente porque as exportações do agronegócio, desde 2000, têm sido o pilar da balança comercial brasileira. Isso significa que, sem as vendas externas dos produtos do campo, o saldo comercial do País seria negativo.

Esse movimento fica nítido nos resultados do comércio exterior. Em 2016, a balança comercial teve superávit de US$ 47,7 bilhões e a balança comercial dos produtos do agronegócio foi superavitária em US$ 71,3 bilhões. Sem a contribuição dos produtos do campo, a balança comercial apresentaria déficit de US$ 23,6 bilhões. 

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