Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Saint Laurent e Cartier decidem lançar lojas no Shopping Iguatemi

Marcas de luxo desembarcam nos próximos meses no mais tradicional shopping do País; Brasil movimenta 3 bilhões com itens de luxo

CÁTIA LUZ E MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2015 | 02h02

Alheio à desaceleração da economia brasileira, que já afeta as vendas no varejo, o Shopping Iguatemi, da família Jereissati, está trazendo duas marcas de luxo - Saint Laurent e Cartier -, que deverão abrir as portas nos próximos meses. "Trazer essas duas lojas reforça um simbolismo do Iguatemi: o de ser o mais importante do País, mesmo 50 anos depois de criar o conceito de shopping no Brasil", disse Carlos Jereissati, presidente do Iguatemi Empresa de Shopping Centers (Iesc).

A grife Saint Laurent fará sua estreia no mercado brasileiro, com a primeira loja no País. Já a Cartier expandirá sua presença, com a terceira loja, a segunda em São Paulo.

Jereissati disse que o atual cenário macroeconômico no Brasil não inibiu as negociações para a entrada de duas das mais importantes marcas de luxo no shopping. Segundo ele, o atual momento, com o dólar valorizado frente ao real, inclusive, tornou os produtos de luxo vendidos no País mais acessíveis aos consumidores.

"Nos três primeiros meses deste ano, a diferença de preços entre os produtos de marcas de luxo comprados no Brasil e no exterior se estreitou, uma vez que boa parte das lojas tinha produtos em estoque adquiridos quando o dólar estava mais barato. Sem contar que aqui no Brasil, o consumidor pode parcelar a compra."

Mercado de luxo. Independentemente do cenário de arrefecimento da economia, o mercado de luxo cresce em todo o mundo. A estimativa feita pela Bain & Company é de que, em 2014, o mercado de luxo no mundo tenha movimentado 865 bilhões, incluindo todas as categorias (produtos de bens de consumo (relógios, óculos, bolsas e roupas), carros, hotéis, alimentos e bebidas, móveis, iates). Carros e bens pessoais estão entre os principais itens adquiridos, movimentando 351 bilhões e 223 bilhões, respectivamente.

O mercado brasileiro não está entre os dez maiores consumidores, mas o potencial de demanda é grande, de acordo com especialistas. No Brasil, a estimativa é de que as vendas no segmento tenham movimentado cerca de 3 bilhões no ano passado. Na América Latina, a cifra deve chegar a 5 bilhões, de acordo com a Bain & Company. Segundo Jereissati, o mercado de luxo é mais resiliente. "Oscila bem menos que outros."

O Iguatemi, que foi fundado em 1966, tem hoje o 12.º aluguel mais caro do mundo, de US$ 425 por metro quadrado por ano, informou o empresário, com base no levantamento da Cushman & Wakefield. No ano passado, a receita por metro quadrado do Iguatemi São Paulo foi de R$ 4,1 mil.

O Iesc, companhia que reúne 16 shoppings próprios (entre eles o Iguatemi), um outlet, três torres comerciais e administra o shopping Pátio Higienópolis, registrou vendas totais em 2014 de R$ 10,5 bilhões, alta de 15,5% sobre 2013. O lucro líquido foi de R$ 230,7 milhões, crescimento de 25,2% sobre o ano anterior.

Experiência. Além das duas marcas de luxo, Iguatemi prepara a reinauguração da praça do tradicional relógio de água do shopping, atração à parte para os visitantes do Iguatemi. Obra do francês Gitton Bernard, há apenas quatro deles no mundo. Na praça, a companhia negocia a entrada de um restaurante italiano, que vai ocupar o lugar do Gero, que não teve seu contrato renovado.

"Buscamos trazer uma experiência diferente aos nossos consumidores, com várias opções de restaurantes de diferentes nacionalidades." Afinal de contas, a experiência de comer em bons restaurantes também é luxo. No mundo, esse segmento movimentou 39 bilhões em 2014.

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