''Saiu a regulação'', comemora Lula

Para presidente, pelo consenso obtido, encontro de ontem do G-20 foi ?um dia histórico para a política mundial?

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

Depois de dois dias de intensas reuniões, em Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao Brasil certo de que saiu daqui com algumas vitórias, já que a principal reivindicação de que é preciso controlar o fluxo de capitais, foi atendida com a decisão do G-20 de criar um colégio de supervisores para regular os mercados financeiros. "Saiu a regulação", comemorou Lula.Ele também ficou animado com a retomada da negociação de Doha e com o fato de que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ter ficado nos Estados Unidos para uma reunião, na noite de sábado, com Madeleine Albreight. Ela é uma das mais importantes interlocutoras do novo presidente norte-americano, Barack Obama. "Até Doha que estava encantada, desencantou", brincou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista. "Foi um dia histórico para a política mundial pois, há seis meses, ninguém podia imaginar que se chegaria a um consenso por unanimidade para cuidar melhor das finanças do mundo", declarou Lula, ao sair para a última reunião bilateral de Washington com o primeiro ministro chinês, Hu Jintao. Indagado se a consagração do G-20 significava o fim do G-8, Lula disse: "eu não diria que foi o fim do G-8 porque o G-8, depois de tanto tempo, virou um clube de amigos e as pessoas vão continuar se reunindo". Mas, assegurou que, "pela força política, pela representação dos países inseridos no G-20, não tem mais nenhuma lógica tomar decisões sobre economia, sobre política, sem levar em conta este foro de hoje". Mais cedo, Lula tinha dito que o G-8 não tinha mais razão de ser porque era preciso levar em conta as economias emergentes no mundo globalizado.Lula disse que saiu feliz das reuniões. O mais importante, destacou, é que saiu uma decisão coesa, de todos os presidentes, de que é preciso ter uma melhor administração do mundo financeiro, que é preciso que decisões sobre crise sejam coletivas. "Eu senti uma maturidade que há tempos eu não via. Sempre vi muita resistência e, depois dessa crise, todo mundo tomou um chá muito grande de humildade."Para Lula, todos sabem que a crise não vai terminar amanhã, "mas os sinais que os presidentes passam para a sociedade e o mundo é que nós vamos agir de forma mais política e mais coesa, e que vamos trabalhar os temas mais delicados, coletivamente". E concluiu: "é um alento muito importante e uma dosagem muito grande de otimismo para o mundo que vive em crise".Mais cedo, em seu discurso, na Casa Branca, para uma platéia com os chefes de Estado que compõem o G-20, que atualmente é presidido pelo Brasil, Lula foi duro em seu discurso atacando os países ricos e advertindo que "a desaceleração econômica, de umas poucas semanas prá cá, está se transformando perigosamente em recessão". Segundo Lula, todo o esforço dos países mais em desenvolvimento, de estabilizar suas economias, "está sendo ameaçado por uma crise que não criamos", que classificou como "fruto da ganância de irresponsáveis especuladores e da absoluta falta de mecanismos sérios de regulação dos mercados financeiros". No seu discurso, perante os 20 chefes de Estado, Lula afirmou que "para que a esperança possa vencer o medo, temos de estar à altura dos graves desafios do momento atual".

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