Salário de professor tem de melhorar, diz ministro Mercadante

Ministro defende aumento real da remuneração dos professores

Beatriz Bulla, Dayanne Sousa e Gabriela Lara, Agência Estado

20 de novembro de 2013 | 14h59

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou na terça-feira que os professores no Brasil não são bem pagos. "Eles não têm um salário competitivo no mercado de trabalho", disse. "Você precisa de bons professores na sala de aula, por isso é importante valorizar. O MEC não aceita a ideia de que reajuste (dos professores) seja feito só pela inflação, tem de haver um aumento real."

No entanto, ele ponderou que muitas vezes a prefeitura e o governo chegam a um "limite financeiro" que impede uma melhor remuneração do profissional. O economista Gustavo Ioschpe discordou do ministro. Segundo Ioschpe, o professor brasileiro não recebe mal, quando a comparação é feita com outros países levando-se em conta o Produto Interno Bruto (PIB) per capita.

Greves. Para o ministro Mercadante, é preciso rever a formação inicial do docente. "É necessário melhorar a remuneração, mas também melhorar o desempenho em sala de aula." Ele apontou ainda que "greve prolongada na educação não valoriza o professor nem resolve o problema da área educacional". 

Gestão. Os desafios da educação no Brasil hoje não são apenas uma questão de financiamento, mas de como articular recursos e gestão, avaliou a presidente dos conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e da Fundação Tide Setubal, Maria Alice Setubal.

Maria Alice apontou ainda que há questões "gravíssimas" em termos de desigualdades educacionais, apesar do "salto enorme" que o Brasil deu em relação à desigualdade social. "Se não enfrentarmos essas questões, não vamos conseguir dar o salto de qualidade que estamos almejando com as diferentes políticas que estão sendo implementadas", disse. Ela mencionou que há ainda 3,5 milhões de alunos fora de escola, contando a educação infantil.

Maria Alice sustentou também que é fundamental atrair a população para a carreira de professor, com elaboração de "plano de carreira, salários e formação de qualidade". "É preciso também pensar em como a escola vai responder aos desafios colocados pela sociedade", defendeu a presidente do conselho do Cenpec.

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