Salário inicial perde ritmo com piora do mercado

ANÁLISE: Rafael Bacciotti

O Estado de S.Paulo

10 Abril 2015 | 02h02

A Pnad Contínua começou a mostrar uma tendência de alta mais bem definida para a taxa de desemprego. Em fevereiro, o indicador aumentou 0,7 ponto porcentual frente ao mesmo período de 2014, intensificando a elevação já observada em janeiro (0,4 ponto porcentual) e dezembro (0,3 ponto porcentual), e chegou a 7,4% da força de trabalho. Neste cenário, os rendimentos apresentam uma trajetória de forte desaceleração. Considerando as variações acumuladas nos últimos doze meses, a renda média real cresceu apenas 0,8% em fevereiro, sendo que no mesmo período de 2014 acumulara alta de 3,3%.

O Caged, cadastro do Ministério do Trabalho que acompanha o mercado formal e que, como a Pnad, abrange todo o País, apresenta o mesmo movimento para os rendimentos. Em fevereiro, o salário real médio acumulou alta de 1,1%, desacelerando frente ao que se observou em fevereiro de 2014 (3,3%), o que implica em redução de 2,2 pontos porcentuais no ritmo de crescimento em um ano.

Pelo Caged, analisando-se separadamente o salário médio total entre salário médio de contratação e de demissão, nota-se que tem havido uma elevação no diferencial. Ou seja, a entrada no mercado, cada vez mais limitada pelo ambiente econômico desfavorável, ocorre com salários cada vez mais baixos do que os salários dos demitidos. O crescimento da remuneração média dos admitidos, considerando as variações acumuladas nos últimos doze meses, passou de 2,7% em fevereiro de 2014 para 0,2% em fevereiro de 2015.

Como grande parte da deterioração recente do mercado de trabalho é reflexo da paralisia da atividade do ano passado, esse processo tende a se agravar ao longo de 2015, influenciado pela convergência de fatores adversos, sobretudo o desdobramento da Lava Jato sobre setores importantes da economia.

* Economista da Tendências Consultoria

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