Salário na indústria cai pelo quinto mês seguido

O salário real na indústria caiu em fevereiro pela quinta vez consecutiva sobre o mês anterior e chegou ao mesmo patamar de março de 1999, dois meses depois da mudança do regime cambial. A queda sobre janeiro foi de 0,40%, com ajustes sazonais. No bimestre, o indicador está 6,18% menor do que no mesmo período em 2002, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A inflação é o principal motivo da variação negativa nos salários. ?Esta queda não tem outra razão que não a alta da inflação?, disse o coordenador de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.A massa salarial é descontada da inflação medida pelo INPC, que acumula alta de 17,67% nos últimos doze meses. Em fevereiro, as vendas da indústria cresceram 7,35% sobre janeiro, ajustadas sazonalmente, e 11,69% sobre o ano passado. O fato de o carnaval ter sido em março deste ano prejudica as comparações. Ainda na comparação sobre o mês anterior, o pessoal empregado cresceu 0,27% e as horas trabalhadas, em 0,60%. No bimestre, estes dois indicadores avançaram 1,16% e 2,48%, respectivamente.Já as vendas reais avançaram 7,21% nos primeiros dois meses deste ano, sobre o ano passado. Castelo Branco avalia que uma recuperação mais consistente da atividade industrial virá apenas a partir do fim do segundo trimestre e, ainda assim, caso haja um abrandamento da política monetária. ?Até lá continuaremos marcando passo?, disse.Mantido o quadro atual com relação à economia, Castelo Branco acredita que o Banco Central poderá começar a rever a trajetória de aumento dos juros. Já o recuo das cotações do dólar e do preço do barril de petróleo abrem espaço para a redução nos preços dos derivados, argumenta o economista. Segundo ele, com o quadro atual ?não se justifica a manutenção dos preços dos combustíveis?.

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