Salário não acompanha desenvolvimento

A lenta recuperação do rendimento real dos trabalhadores, apesar do aquecimento da atividade econômica e da redução do desemprego, é um dos principais motivos do ceticismo de considerável parcela da população em relação aos rumos da economia brasileira, de acordo com avaliações de especialistas do setor de emprego e renda.Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), nos últimos anos, após o fim da indexação dos salários, a maioria das categorias profissionais conseguiu a recomposição das perdas com a inflação. Mas isto só valeu para dois terços dos assalariados com registro em carteira e não se aplica aos trabalhadores informais, que já chegam a 49% da População Economicamente Ativa (PEA), só na região metropolitana de São Paulo.Novos contratados ganham menosEntre 1996 e 2000, a taxa de ocupação nesta área cresceu 13,8%, enquanto o rendimento médio real caiu 14,7%. O descompasso entre a elevação do nível de ocupação e a recuperação dos ganhos salariais tem pelo menos um causa: as empresas voltaram a contratar, porém com salários mais baixos. Esta é um das conclusões preliminares do Dieese.O estudo também mostra que os ganhos salariais não estão acompanhando a redução do desemprego porque a atividade produtiva está crescendo sobre a capacidade instalada já existente, com o aumento de horas extras e contratação de mão-de-obra não qualificada, cujos vencimentos são baixos. Além disso, os intensos processos de terceirização das indústrias, que forçaram a migração da mão-de-obra das grandes para as médio, pequenas e microempresas, achataram os salários. Na opinião de analistas, este quadro só vai se reverter se a economia crescer consistentemente nos próximos dois ou três anos, enxugando o excedente de profissionais o que, em última análise, explica a posição desvantajosa do trabalhador na negociação salarial. Com o mercado inchado, não faltam candidatos para trabalhar por qualquer remuneração.

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