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Salário real é o mais baixo desde 92, aponta CNI

Os salários reais pagos pelo setor industrial no mês de março estão no patamar mais baixo desde o início de 1992, conforme cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), quando a entidade começou a fazer esse acompanhamento. Segundo a CNI, o índice que afere o "salário real" da indústria ficou em 95,64 em março, o que representa queda de 5,78% em relação aos níveis vigentes em dezembro do ano passado e 7,74% menores do que os praticados em março de 2002, acumulando a décima-quinta queda consecutiva.O nível observado em março só ficou acima do registrado nos três primeiros meses de 1992, quando o País vivia as incertezas políticas devido ao processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor. No auge do Plano Real, em maio de 1995, o indicador da CNI apurou um índice equivalente a 120,71, o que ilustra a redução, com março contabilizando queda de 20,77% desde então.Na avaliação do economista da CNI, Flávio Castelo Branco, a queda no poder aquisitivo resulta da aceleração da inflação nos últimos meses do ano passado e no primeiro trimestre deste ano, além de ser uma forma de redução de custos. "Os reajustes salariais não foram suficientes para acompanhar o aumento da inflação nos últimos meses", disse Castelo Branco. A entidade utiliza o índice INPC para calcular o "salário real", ou seja, a média salarial descontados os efeitos da inflação. Na opinião do economista, "é menos oneroso" para a indústria conter os salários do que demitir pessoas", nos momentos de desaceleração da economia, como ocorre atualmente. O indicador que afere o número de trabalhadores na indústria registra aumento de 0,34% no trimestre e de 1,05% nos últimos 12 meses, indicando estabilidade.Manutenção da margem com redução de saláriosA redução dos salários reais acaba sendo uma forma de redução de custos com as empresas compensando a pesada compressão das margens de lucros observada nos últimos meses. Essa compressão nas margens permitiu ao País conseguir melhoria no "câmbio relativo", facilitando os ajustes das contas externas, conforme o diretor de política econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, apontou em palestra no Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef) na última sexta-feira. Uma das maiores preocupações do governo, manifestada pelo diretor do BC, é o País perder essa "vantagem relativa" do câmbio, com as empresas que comercializam os chamados produtos "non tradeble" (não destinados ao comércio exterior) conseguindo reajustes mais rápidos de preços. "Se a recomposição de margens vier pelo aumento de preços, o ganho relativo no câmbio estará comprometido, afetando o ajuste que o País conseguiu no comércio exterior", complementou.Na opinião do presidente do Ibef, Reynaldo Aloy, a forma "ideal" de recomposição das margens seria através do aumento do volume de produção, sem precisar reduzir salários ou empregos. "Com aumento de volume, as empresas faturam mais e diluem melhor os seus custos fixos", comentou. Ele pondera, porém, que o aumento da atividade econômica está vinculada à redução de juros, viabilizando aumento de crédito. Queda do dólar restabelece margens em importadorasA queda do dólar em relação ao real nos últimos dois meses, por sua vez, está permitindo que algumas empresas que trabalham com produtos importados consigam restabelecer suas margens, "sem precisar aumentar os seus preços ao consumidor", complementou. Na visão de Aloy, o governo deveria "correr o risco" de promover uma redução dos juros para ativar mais a economia. Na sua avaliação "é um risco calculado", devido à substancial melhoria dos indicadores macroeconômicos do País nos últimos meses.

Agencia Estado,

13 de maio de 2003 | 18h07

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