Salariômetro permite comparar salários pagos pelo mercado

Ferramenta da Fipe mostra que o aumento salarial médio negociado em setembro deste ano foi de 7,7%

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2014 | 16h32

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) lançou nesta quarta-feira, 12, o Salariômetro, ferramenta que permite consultar a média de salários iniciais no Brasil.

O Salariômetro mostra, por exemplo, que o aumento salarial médio negociado em setembro deste ano foi de 7,7%. Dessa forma, o ganho real dos trabalhadores foi de 1,39% - uma vez que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses no período foi de 6,35%.

O reajuste concedido em setembro deste ano foi ligeiramente superior ao verificado em agosto (7,6%, mas com ganho real de 1,2%) e ficou no mesmo nível do aumento de setembro do ano passado (7,7%, alta acima de inflação de 1,6%).

“A negociação coletiva ainda reflete um poder de barganha grande dos trabalhadores, sobretudo nos serviços e comércio. Na indústria, aparentemente essa barganha deve começar a diminuir”, afirma Hélio Zylberstajn, professor da faculdade de Economia da USP, pesquisador da Fipe e coordenador do projeto.

O estudo também dividiu os reajustes por setores de economia. Em setembro, os trabalhadores da construção foram os que tiveram maior ganho, com alta de 8,3%. Na sequência, apareceram o comércio (7,9%), indústria (7,8%), serviços e agropecuária (cada um com 7,6%). 

Por região, as maiores altas no salário médio foram verificadas no Nordeste (8,0%). Em seguida, estão o Sudeste e Sul (7,8%), Centro-Oeste (7,4%) e Norte (7,3%). “A liderança do Nordeste é algo surpreendente” , afirma Zylberstajn. De acordo com ele, uma das possibilidades para explicar o maior ganho entre os nordestinos é a desaceleração da indústria que atinge mais o Sudeste. “No Nordeste, a composição do emprego é diferente, com mais ênfase para o serviço e comércio.”

Já o piso médio negociado foi de R$ 919 no País, valor 27% maior do que o do salário mínimo  (R$ 724).

Salariômetro. Os dados integram o Projeto Salários da Fipe (www.salarios.org.br), portal que fornece informações sobre o mercado de trabalho, e foram compilados com base nas informações armazenadas pelo sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego.

Na página elaborada pela Fipe, também é possível analisar o tamanho da folha salarial da economia brasileira. Em agosto, a folha salarial foi de R$ 85 bilhões. O valor anualizado, com o 13º salário incluído, chega a R$ 1,1 trilhão. Desde janeiro de 2003, a folha salarial teve um crescimento real de 142%, ou 0,6% ao mês.

“Uma parte desse crescimento da folha salarial foi a transformação do trabalhador informal em formal. A grande base disso são os salários mais baixo. O emprego se expandiu com salários menores”, afirma Zylberstajn. 

O portal da Fipe ainda permite fazer a consulta do salário médio de admissão dos últimos seis meses de todas as profissões registradas pelo Caged. É possível fazer a pesquisa pelo recorte por Estado, gênero, escolaridade, faixa etária e cor.  (Colaborou Tulio Kruse, especial para a Agência Estado)

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