Salários menores para novos contratados

Os trabalhadores admitidos estão sendo contratados por um salário inferior ao que era pago aos trabalhadores demitidos. Essa diferença tirou da economia R$ 854 milhões nos 12 meses encerrados em junho. O cálculo tem como base o saldo líquido entre os salários de admissão e de desligamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foi feito pela MB Associados. "É como se fosse R$ 1 bilhão a menos disponível para consumo", disse Sergio Vale, economista-chefe da consultoria.

O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2013 | 02h05

A indústria é o setor que mais tem contribuído para a retirada de dinheiro da economia. Nos últimos 12 meses, a massa salarial vinda das empresa do setor caiu R$ 389 milhões. Na sequência, as maiores perdas foram na construção (R$ 198 milhões), comércio (R$ 100 milhões), serviços (R$ 87 milhões) e agropecuária (R$ 79 milhões).

O saldo líquido entre os salários dos trabalhadores admitidos em relação aos desligados em 12 meses começou a ficar negativo em maio do ano passado. E, desde então, a diferença tem crescido - em maio deste ano, foi de R$ 832 milhões.

Essa perda de massa de renda deve impactar ainda mais o desempenho do consumo, que teve de trocar o forte crescimento dos últimos anos por uma alta mais modesta em 2013.

O desempenho do mercado de trabalho vai ser fundamental para a retomada do setor de serviços e, consequentemente, dos outros setores da economia. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o emprego deve continuar crescendo no Brasil, mas em ritmo menor.

"O Brasil estava com um mercado de trabalho superaquecido e isso se refletia no aumento dos salários. O País deve caminhar para uma situação mais equilibrada e fica a expectativa do que deve ocorrer com a economia a partir de 2015", disse Eduardo Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Para ele, haverá um aumento do desemprego no "curto e médio prazos".

Na avaliação do economista-chefe da MB Associados, o saldo de contratação "pode estacionar em números baixos como vimos em 2003 e ficar baixo durante um bom tempo".

Em 2003, o País criou 645,5 mil vagas. No ano passado, esse número foi de 1,3 milhão. / L.G.G.

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