Salários na indústria sobem 8,7% em um ano, aponta IBGE

Taxa foi a 24ª positiva consecutiva; emprego industrial cresceu 2,9% em março ante o mesmo período de 2007

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

12 de maio de 2008 | 09h28

A folha de pagamento real da indústria subiu 8,7% em março ante o mesmo período do ano passado. Já na comparação com fevereiro, os salários cresceram 2,7%. A informação foi anunciada nesta segunda-feira, 12, pelo IBGE, com a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal: Emprego e Salário. O emprego industrial em março teve alta de 0,1% ante fevereiro. Já na comparação com março do ano passado, o emprego subiu 2,9%. No acumulado do ano, a alta foi de 3% e em 12 meses, até março, a elevação foi de 2,6%.    Veja também:    Lula lança nesta segunda-feira a nova política industrial     Para a economista da Coordenação de Indústria do IBGE, Denise Cordovil, a alta de apenas 0,1% em março ante fevereiro não indica um início de trajetória negativa para o segmento, apenas uma estabilidade no cenário. "O quadro de emprego industrial ainda sustenta resultados positivos, acompanhando o desempenho da produção industrial", afirmou. Segundo o levantamento, o crescimento da folha de pagamento veio depois de um recuo de 0,1% em fevereiro, em comparação com o mês anterior. No acumulado do ano até março, houve aumento de 6,4%e, no período de 12 meses até março, a folha cresceu 5,9%.Ainda segundo o IBGE, a taxa anual de 8,7% foi a vigésima quarta taxa positiva consecutiva. Nessa comparação, segundo o instituto, "houve crescimento em todos os locais pesquisados, com destaque para São Paulo (9,6%), por conta dos resultados em meios de transporte (18%), produtos químicos (18,6%) e máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (14,1%)", detalhou o instituto, em comunicado.   Denise Cordovil admitiu que o Estado de São Paulo, que representa 40% do total do emprego industrial no País, teve papel preponderante no desempenho de março. "Esses setores estão refletindo também a melhora no mercado interno, o aumento da demanda", avaliou.   Ao detalhar o resultado de março, o IBGE informou que o crescimento de 2,9% no emprego industrial decorreu do avanço no emprego industrial em onze dos quatorze locais pesquisados. As principais altas no patamar de emprego foram detectadas em São Paulo (4,4%), Minas Gerais (3,6%), região Nordeste (3,0%) e região Norte e Centro-Oeste (3,2%).   Também houve aumento no nível de emprego industrial em doze dos dezoito segmentos pesquisados em março deste ano, na comparação com março do ano passado. Os principais impactos positivos vieram das altas no patamar de emprego em máquinas e equipamentos (15,2%), meios de transporte (11,9%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (14,3%) e alimentos e bebidas (3,1%).   O número de horas pagas na indústria caiu 0,9% em março ante fevereiro. Na comparação com março do ano passado, porém, houve alta de 2,6% no número de horas pagas na indústria. No acumulado do ano até março, as horas pagas acumulam alta de 2,9%. Em 12 meses até março, o número subiu 2,3%.     Setores com taxa negativa     Mesmo com saldo total positivo em março, o emprego industrial continua a apresentar taxa negativa em alguns setores específicos, intensivos em emprego e prejudicados pelo câmbio barato - o que conduz a uma entrada maior de importados no mercado interno. A avaliação é da economista Denise Cordovil. Segundo ela, em março, foram registradas quedas no emprego industrial nos setores de têxtil (-6%); calçados ( -12,1%); vestuário (-4,2%) e madeira (-9%), na comparação com março do ano passado.   No resultado no acumulado do ano, no primeiro trimestre de 2008, foram registradas quedas nos empregos industriais de calçados e artigos de couro (-11,3%); vestuário (-4,0%); madeira (-7,9%) e têxtil (-4,1%). Denise explica que esses segmentos estão registrando queda no patamar de emprego industrial há algum tempo. Isso porque o desempenho da produção desses itens sofre com a intensa concorrência de produtos importados. Com isso, a contratação de novos empregados diminui - bem como a quantidade de pessoal ocupado nesses segmentos.   "Infelizmente, são setores que estão com resultado negativo há alguns meses", afirmou. "É importante lembrar que os setores que estão com os melhores resultados em emprego industrial, como máquinas e equipamentos, e automotivo, não são tão intensivos em mão-de-obra (como os que apresentam resultado negativo em março)", disse.

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