Saldo comercial de maio é o menor desde 2002

Resultado ficou acima das projeções de mercado, mas redução nas vendas de soja, minério e carros mostra dificuldade em exportar

Renata Veríssimo, Laís Alegretti, Agência Estado

02 de junho de 2014 | 15h11

BRASÍLIA - A balança comercial brasileira registrou no mês passado o melhor resultado do ano, com um superávit de US$ 712 milhões. Mas não houve comemoração: foi o pior desempenho do comércio exterior para um mês de maio desde 2002. O resultado ficou acima do esperado por analistas, que projetavam um déficit de US$ 75 milhões. O governo prevê resultado positivo na relação comercial com o exterior neste ano, mas não especifica o número.

Maio foi o terceiro mês consecutivo de superávit, mas os dados mostram uma recuperação lenta do saldo comercial por causa do fraco desempenho das exportações, apesar da menor influência negativa da chamada conta-petróleo (que inclui importações e exportações de petróleo e combustíveis).

O fraco resultado de maio é explicado, principalmente, pela queda nas exportações de soja, minério de ferro, carros e autopeças, segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Daniel Godinho.

As exportações somaram US$ 20,75 bilhões, o que significa uma média diária 4,9% menor que a registrada em maio de 2013. As importações encolheram 4,8% e totalizaram US$ 20,04 bilhões no mês passado.

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Segundo o secretário, os preços internacionais das commodities estão mais baixos que em 2013, o que se refletiu na redução de 12,1% nas vendas de minério de ferro para o exterior e de 6,9% da soja em grão em relação a maio de 2013. A menor demanda da Argentina levou a uma retração nas exportações do Brasil de automóveis e autopeças.

“Mesmo nesse cenário tivemos um resultado positivo da balança em maio”, disse Godinho. Segundo ele, a queda nas exportações de soja no maio foi sazonal. “O importante é que temos um crescimento expoente no acumulado do ano. A soja ainda entrará forte na balança.”

Petróleo. Godinho destacou também a melhora no déficit da conta-petróleo nos cinco primeiros meses de 2014, por causa do aumento das exportações e redução das importações de petróleo e derivados. “Essa continuará sendo a tendência para o ano”, disse o secretário.

Apesar da menor influência da conta- petróleo, o economista da Tendências Consultoria, Bruno Lavieri, disse que o saldo comercial demora a reagir por causa do fraco desempenho do lado exportador, reflexo da dinâmica menos favorável dos preços de commodities e do câmbio apreciado.

De acordo com o economista Rafael Bistafa, da Rosenberg Associados, as exportações tiveram um desempenho um pouco melhor na última semana do mês, depois do resultado ruim na quarta semana de maio, quando o déficit comercial fora de US$ 1,134 bilhão.

O economista da RC Consultores Thiago Biscuola, disse que o câmbio menos valorizado que no ano passado tem contribuído negativamente para o desempenho da balança. Outro fator, segundo ele, foi o adiantamento das exportações da safra agrícola e a queda nos preços internacionais. / COLABOROU FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

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