Saldo comercial deve cair a US$ 13 bi em 2010, prevê CNI

Segundo a Confederação, a valorização do câmbio persistirá como um problema no próximo ano

Sandra Manfrini e Leonardo Goy, da Agência Estado,

15 de dezembro de 2009 | 13h44

A balança comercial brasileira deve fechar o ano de 2010 com um superávit de US$ 13 bilhões. A projeção é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que prevê para 2009 um superávit comercial de US$ 25,2 bilhões.

De acordo com o documento da CNI Informe Conjuntural, divulgado hoje, "a valorização do câmbio persistirá como um problema" no próximo ano. Na avaliação da CNI, o real continuará a se valorizar, por vários motivos, entre os quais a entrada de recursos externos no País para financiar um maior déficit em transações correntes.

 

Outro motivo seria a taxa de juros nos Estados Unidos, que, na avaliação da CNI, deverá continuar muito baixa e estimular a tomada de empréstimos em dólares para investimento em países como o Brasil.

Diante desse cenário e com aumento do ritmo de crescimento da economia brasileira, a CNI prevê que as importações deverão voltar a crescer em "ritmo acelerado" em 2010.

 

VEJA TAMBÉM:
CNI prevê crescimento de 5,5% do PIB em 2010

Segundo o documento da confederação, essa expansão das compras no exterior será registrada em todas as categorias de produtos e, desta forma, as importações devem somar US$ 175 bilhões em 2010, o que representará um crescimento de 38%, na comparação com 2009 (US$ 126,7 bilhões, na previsão da entidade).

As exportações também deverão voltar a crescer em 2010, na avaliação da CNI, principalmente pelo aumento dos preços. Além disso, prevê o Informe Conjuntural, deverá haver aumento nas quantidades exportadas, em razão de maior crescimento das economias de países em desenvolvimento.

 

Assim, a CNI estima que as exportações brasileiras devem fechar 2010 em US$ 188 bilhões - o que significará um crescimento de 24% em relação a 2009 (US$ 151,9 bilhões, na projeção).

Para o saldo em conta corrente, a CNI projeta um aumento do déficit, de US$ 22,9 bilhões em 2009 para US$ 48 bilhões em 2010.

Impostos

O presidente da CNI destacou que o fim das desonerações fiscais para itens de material de construção e bens de capital, em junho do próximo ano, "não vai alterar o ritmo de crescimento da indústria". Para o dirigente industrial, mesmo não havendo prorrogação desses benefícios, como a economia deverá voltar a andar com mais força em 2010, a indústria terá como crescer sem essas reduções de impostos. A CNI estima que o PIB industrial brasileiro crescerá 7% em 2010, contra um recuo de 4,5% neste ano.

Armando Monteiro Neto comentou ainda que a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de capital estrangeiro em renda fixa e variável ajudou a reduzir a volatilidade do câmbio. "Não achamos que a medida iria reverter a apreciação do real, mas o câmbio se manteve relativamente estável em R$ 1,70", disse.

Por outro lado, Monteiro Neto coloca o desempenho da indústria que depende das exportações (e consequentemente do câmbio), juntamente com a indústria de equipamentos (que depende do ritmo de investimentos da economia) como setores em que há dificuldade para se projetar o crescimento em um prazo mais longo.

A CNI, entretanto, estima que a taxa de investimentos no País crescerá 14% em 2010. Com isso, o porcentual de investimento em relação ao PIB deverá subir dos atuais 16,9% para 18,3% em 2010. Apesar de salientar que se o crescimento de 14% é significativo, Monteiro Neto afirma que o ideal para o País seria atingir uma taxa de investimentos próxima de 25% do PIB.

 

Tudo o que sabemos sobre:
balança comercialsuperávitCNI

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.