Saldo comercial pode ir a US$ 6 bilhões no ano

A balança comercial deverá fechar o mês de julho com um superávit de US$ 800 milhões, disse ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Guilherme Reis. "Se der US$ 800 milhões em julho, número que estamos cogitando, estaremos em US$ 6 bilhões em 12 meses", comentou o secretário, referindo-se ao saldo acumulado entre agosto de 2001 e julho de 2002. O governo ainda mantém a projeção de um saldo de US$ 5 bilhões, mas já começa a considerar a hipótese de um resultado maior no ano. "Agora já achamos que esse número é conservador", disse Reis. "Essa projeção já foi justa no início do ano, virou otimista e agora está conservadora." Ele acredita que o saldo possa ficar, na melhor hipótese, em US$ 6 bilhões. O otimismo é baseado nos fortes embarques de soja registrados nos últimos dias. O secretário ressaltou que esse desempenho não pode ser tomado como uma tendência. O salto nas vendas de soja ao exterior é explicado por dois fatores: alta do dólar e suspensão parcial da greve dos fiscais da Receita Federal, que afetou principalmente os portos do Sul do País, e estava impedindo o embarque do produto. No entanto, o desempenho das exportações está surpreendendo favoravelmente a área econômica do governo. Os técnicos esperavam, de fato, um aumento da exportação a partir da suspensão da greve. Mas eles achavam, também, que haveria uma liberação ainda maior das importações, porque essas são mais fiscalizadas pela Receita. Havia estimativas de que as importações retidas neste mês chegariam a US$ 800 milhões, em comparação com R$ 250 milhões de exportações represadas. Eles calculavam que se todas essas operações retidas fossem realizadas neste mês, poderia até haver um pequeno déficit na balança comercial. "Essa é uma das estimativas", desconversou o secretário. Ele assegurou, porém, que as exportações estão maiores do que o previsto pelos técnicos. "Os números da balança desta semana são muito favoráveis", afirmou Reis. "Há razões para esperar um saldo robusto." Somente na segunda e terça-feira a balança teve um saldo positivo de US$ 487 milhões, de acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral. O secretário de Política Econômica admitiu que pode haver importações represadas que aparecerão, mais cedo ou mais tarde, nos números da balança. Mas, lembrou, há outros fatores que jogarão a favor do saldo positivo neste mês: o câmbio elevado, que ajuda a aumentar a exportação, e o nível mais baixo de atividade econômica, que inibe as importações. Na avaliação do secretário, o saldo deve fechar o ano entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. "Mais que isso eu não arriscaria, até porque as incertezas no mercado internacional são suficientemente grandes para tornarem qualquer analista minimamente desconfiado sobre o que pode acontecer", disse. Reis acha que o desempenho da balança até o momento é positivo, levando-se em conta o choque da perda do mercado argentino. "O exportador procurou outros mercados", disse. Ele avaliou que a melhora no desempenho comercial é um fator importante para o País, neste momento adverso da conjuntura interna e externa, com a elevação do risco país, dificuldades de rolagem da dívida e pressão no dólar.

Agencia Estado,

13 de julho de 2002 | 09h54

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