Saldo comercial terá US$ 5 bi a menos

Projeção para 2007 cai de US$ 45 bilhões para US$ 40 bilhões; revisão ocorre por forte crescimento de importações

Renata Veríssimo e Paula Puliti, O Estadao de S.Paulo

02 de outubro de 2007 | 00h00

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior reduziu de US$ 45 bilhões para US$ 40 bilhões a projeção de saldo da balança comercial brasileira em 2007. O anúncio foi feito ontem pelo titular da pasta, Miguel Jorge. A revisão se deve ao ritmo forte de crescimento das importações.Se for confirmada a estimativa, o superávit comercial será menor em US$ 6 bilhões na comparação com 2006. O ministério manteve a meta de exportações em US$ 155 bilhões para 2007 e projeta que as importações vão ultrapassar pela primeira vez os US$ 100 bilhões, atingindo US$ 115 bilhões.As importações subiram 28,3% no acumulado de janeiro a setembro, enquanto as exportações aumentaram 15,5%, o que reduziu o superávit comercial em 9,5% ante o mesmo período de 2006. O saldo soma US$ 30,94 bilhões (exportações de US$ 116,59 bilhões e importações de US$ 85,65 bilhões).Somente em setembro, o superávit foi US$ 1 bilhão menor que no mesmo período de 2006. A expansão das importações foi de 38,8% ante setembro de 2006 e a das exportações, de 18,6%.Importações e exportações, no entanto, bateram recorde mensal pela média diária. As vendas externas totalizaram no mês US$ 14,16 bilhões, com média diária de US$ 745,6 milhões. As importações somaram US$ 10,69 bilhões, com média diária de US$ 562,9 milhões. O superávit comercial em setembro foi de US$ 3,47 bilhões.O secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat, avaliou que as importações aumentaram os investimentos da indústria. Segundo ele, as compras têm permitido a ampliação da capacidade instalada e a produção de bens mais competitivos. ''''As importações, sob esse prisma, neutralizam eventuais pressões inflacionárias.''''DESTAQUESMeziat destacou o aumento de 49%, ante 2006, das importações de bens de capital. As compras de matérias-primas e intermediários aumentaram 30,1% e as de bens de consumo, 32%. As importações de combustíveis e lubrificantes cresceram 60%. ''''As importações estão crescendo em um ritmo acelerado e voltadas para a indústria brasileira'''', avaliou o secretário.Do lado das exportações, os destaques foram os embarques de manufaturados, que subiram 22,2%, puxados pelas vendas de 25 aviões da Embraer e de duas plataformas para exploração de petróleo. Meziat explicou que as plataformas entram na conta como exportações, porque foram vendidas para uma empresa holandesa, mas vão operar no País, na Bacia de Campos.Os produtos básicos tiveram alta nas vendas de 16,8%. As exportações de produtos semimanufaturados registraram acréscimo de 8,9%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.