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Saldo negativo do Brasil com o exterior recua 42,1% em março

Dólar mais forte, o resultado da balança comercial nas últimas duas semanas do mês passado e a redução do envio de remessas de lucros por multinacionais para o exterior explicam dados

Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa,

24 de abril de 2012 | 11h10

A tendência de alta da cotação do dólar, o bom desempenho da balança comercial nas últimas duas semanas do mês passado e a redução do envio de remessas de lucros por empresas multinacionais para o exterior explicam o desempenho melhor que o previsto para o saldo da conta corrente do País com o exterior.

Em março, o saldo ficou negativo em US$ 3,320 bilhões - abaixo da estimativa do Banco Central para o mês, que era de resultado negativo de US$ 4,5 bilhões. O desempenho da conta de transações correntes no mês de março deste ano também ficou mais favorável do que o registrado em março do ano passado, quando o déficit foi de US$ 5,737 bilhões - ou seja, 42,1% menor que no mesmo mês de 2011.

"Foram dois componentes para o déficit menor", disse chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel. Com o dólar mais elevado, o desempenho da balança comercial, especialmente nas últimas duas semanas do mês passado, surpreendeu o BC. Além disso, o envio de remessas de lucros e dividendos por multinacionais instaladas no Brasil segue em moderação porque o dólar mais caro desfavorece as transferências para o exterior. "O câmbio interferiu, sem dúvida", disse.

Maciel destacou que as remessas seguem moderadas desde janeiro. "Parte disso reflete a atividade menor no segundo semestre do ano passado, quando tivermos redução no nível de atividade", disse.

Com o dólar mais alto, outro item que sofreu foram as viagens internacionais, cujo déficit caiu na comparação com o ano anterior. "Em 2011, o carnaval havia sido em março, o que explica parte da queda pela base de comparação. Mas, sem dúvida, a desvalorização do câmbio também influenciou, visto que há rápida reação dessa conta", disse.

Outro fator que contribuiu para a redução do saldo negativo do Brasil com o exterior foi a adoção de novas alíquotas de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a captação de recursos no exterior por empresas. Dados do BC mostram que companhias captaram US$ 2,126 bilhões no primeiro trimestre do ano, número 60% menor que os US$ 5,356 bilhões captados com a emissão de papéis comerciais em igual período do ano passado.

"As medidas contribuíram para moderar esse fluxo. As medidas também influenciaram fundamentalmente o prazo dessas captações, que foram se alongando. Temos observado que as operações têm prazos cada vez prazos mais longos, o que melhora o perfil da dívida", disse.

Acumulado

No acumulado do ano até março, o déficit em transações correntes também está menor do que no primeiro trimestre de 2011. Segundo dados do Banco Central, de janeiro a março, o déficit em transações correntes soma US$ 12,113 bilhões, 1,92% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em 12 meses até março, o déficit em transações acumulado caiu para US$ 49,815 bilhões, o equivalente a 1,98% do PIB. Até fevereiro, o déficit em transações correntes acumulado em 12 meses estava em US$ 52,232 bilhões, ou 2,09% do PIB.

Investimento Estrangeiro Direto

O investimento estrangeiro direto (IED) somou US$ 5,887 bilhões em março, queda de 13,3% em relação aos US$ 6,787 bilhões que ingressaram no País em março de 2011. No acumulado do primeiro trimestre de 2012, a entrada de IED alcança US$ 14,939 bilhões, também abaixo de US$ 17,535 bilhões observados em igual período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, o fluxo de IED alcança US$ 64,064 bilhões, o equivalente a 2,55% do PIB - o porcentual é suficiente para cobrir o déficit de transações correntes, que correspondeu a 1,98% do PIB no mesmo período.

O BC também informou que foi registrado retorno de US$ 5,004 bilhões em Investimentos Brasileiros Direitos (IBD) em março. No primeiro trimestre deste ano, foi observado retorno de US$ 5,415 bilhões por essa via.

Mercado de capitais

O investimento estrangeiro em ações brasileiras registrou, em março, aumento líquido de US$ 131 milhões. O movimento aconteceu exclusivamente com as ações negociadas no país, cuja posição estrangeira subiu em US$ 144 milhões.

Já os negócios com recibos de ações brasileiras negociados no exterior, como as ADRs, acumularam saída de US$ 13 milhões no mês passado. No acumulado do primeiro trimestre de 2012, os estrangeiros elevaram investimentos em ações brasileiras em US$ 5,193 bilhões, sendo que a totalidade destes recursos foi aplicada no mercado brasileiro, já que neste segmento a posição externa cresceu em US$ 5,229 bilhões. Os recibos negociados no exterior tiveram saída líquida estrangeira de US$ 35 milhões no trimestre.

O BC também informou que investidores estrangeiros aumentaram suas aplicações em títulos de renda fixa brasileiros em US$ 1,269 bilhão em março. Sendo que US$ 334 milhões foram alocados em títulos negociados no mercado doméstico e em US$ 935 milhões foram destinados aos papéis transacionados no exterior. No acumulado do ano, o investimento estrangeiro em renda fixa brasileira cresceu US$ 2,284 bilhões, sendo US$ 639 milhões em títulos emitidos no Brasil e US$ 1,645 bilhão em papéis negociados no exterior.

Dívida externa

O BC informou que a estimativa da dívida externa total do Brasil ficou em US$ 299,562 bilhões em março. O valor é superior à última posição consolidado de dezembro de 2011, quando a dívida externa somava US$ 298,204 bilhões.

Segundo o BC, a maior parte da dívida externa brasileira segue tendo características de longo prazo, já que papéis com essa denominação US$ 262,785 bilhões. Já os compromissos de curto prazo correspondem a US$ 36,777 bilhões.

A dívida externa brasileira estimada é menor que o total das reservas internacionais, que somavam US$ 365,216 bilhões em 31 de março. Por isso, o Brasil é credor líquido internacional.

 

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