Adriano Machado/Reuters
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Salles pede R$ 230 milhões para não travar ações na Amazônia após julho

Ministro diz que há risco de ficar sem recursos durante período de maior incidência de queimadas, de agosto a outubro

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2020 | 20h16

BRASÍLIA – No momento em que o governo Jair Bolsonaro é pressionado por investidores para reagir a queimadas e ao desmatamento na Amazônia, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pede reforço de R$ 230 milhões para não travar, a partir de agosto, ações de preservação na região.

Em ofício enviado em 29 de junho ao ministro da Economia, Paulo Guedes, obtido pelo Estadão, Salles afirma que, sem o dinheiro, o governo ficará exposto no período em que mais necessita de força para executar ações de prevenção nas florestas.

O pedido do Meio Ambiente será avaliado neste mês pela Junta de Execução Orçamentária (JEO), que reúne Guedes, o ministro da Casa Civil, Braga Netto, e técnicos do governo que lidam com Orçamento. A Economia não informou quando será feita a reunião.

“Essa situação, a falta de limite de pagamento, exporá este Ministério durante o período de maior incidência de queimadas, especialmente na região da Amazônia Legal, que vai dos meses de agosto a outubro, ou seja, na fase que demanda uma maior necessidade de financeiro para operacionalizar as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais”, disse Salles a Guedes.

O ministro do Meio Ambiente afirma que está com as contas “comprometidas” por repasse de R$ 230 milhões feito aos nove Estados da Amazônia Legal, em janeiro, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O recurso tinha como origem o fundo da Lava Jato.

O desmatamento na Amazônia segue em alta, o que sob críticas coloca Salles e militares que conduzem ações de preservação na região. Alertas feitos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam a perda de 1.034,4 km² em junho, avanço de 10,65% sobre o mesmo mês em 2019. A área derrubada equivalente à da cidade de Belém (Pará). Trata-se ainda do mês de junho de maior devastação nos últimos cinco meses.

Coordenador do Conselho da Amazônia e da Operação Verde Brasil 2, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) tem liderado reuniões com investidores e membros do governo para mostrar reação a preocupações sobre o meio ambiente. Nesta quarta-feira, 15, Mourão reconheceu que o País está sob “pressão em relação ao avanço das ilegalidades”, como desmatamento e queimadas. “Mas deixamos muito claro o compromisso do nosso governo, o governo do presidente Jair Bolsonaro, de não aceitar que essas ilegalidades prosperem."

No ofício a Guedes, o ministro do Meio Ambiente afirma que pode ficar sem recursos para dar continuidade a ações de fiscalização, combate ao desmatamento e queimadas, “bem como a gestão das Unidades de Conservação”. Procurado, o Ministério do Meio Ambiente afirmou apenas que aguarda deliberação da JEO.

Salles é alvo de pressão no cargo pela política ambiental do governo. Em audiência no Senado na terça-feira, 14, Mourão defendeu o ministro, mas disse estar em “silêncio obsequioso” sobre a permanência dele no governo Bolsonaro. O vice-presidente também disse, sem citar valores, que Guedes vai pedir crédito extra para ações na Amazônia.

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