Salto do IGP-M não deve fazer o BC mudar a rota de corte de juros

O salto da inflação medida pelo Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) de junho para julho não é argumento para que o Banco Central (BC) mude a rota da política monetária e interrompa a trajetória de redução da taxa básica de juros, a Selic, concordam economistas.

O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h08

"O BC não deve rever a política de juros. Isso ocorreria se a economia estivesse bombando", afirma o economista da LCA Consultores, Francisco Carlos Pessoa Faria Jr. Ele ressalta que a alta de preços captada pelo IGP-M de julho não é localizada. Isto é, a elevação do preço dos grãos e dos combustíveis deverá ter impacto nas cotações dos produtos derivados, como carnes, suínos e aves, além do custo de transporte das mercadorias em agosto. Mas ele lembra que há outros itens nos quais devem ocorrer uma descompressão de custos, como energia elétrica, o deve compensar essa pressão.

"As altas podem ser acomodadas", observa o economista-chefe da SulAmérica, Nilton Rosa, lembrando que os preços dos bens duráveis estão em deflação e dos serviços, arrefecendo.

Para o diretor da RC Consultores, essas altas de preços no atacado vão turbinar a inflação ao consumidor no terceiro trimestre deste ano. Mas, segundo ele, essa pressão de preços não será suficiente a ponto de mudar a política de afrouxamento monetário. "Ainda teremos neste segundo semestre uma evolução fraca da atividade", diz. /M.C.

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