Sam Zell prepara novo fundo de US$ 600 mi

Megainvestidor, conhecido pelo 'timing' dos negócios, estaria captando recursos para investir em emergentes

O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2014 | 02h06

Aos 73 anos, Sam Zell continua sendo reconhecido no mercado financeiro como um sujeito que sabe ganhar dinheiro - atributo que ele carrega desde a adolescência, quando teve a ideia de comprar exemplares da Playboy por US$ 0,50, perto da escola, no centro de Chicago, e vender por US$ 3 para os amigos do bairro, que ficava a 30 km dali. "Identifiquei uma necessidade comum aos meninos de 13 anos e uma oferta restrita e aproveitei isso", contou, no início do ano, em uma entrevista à revista Forbes. "Passados mais de 50 anos, continuo fazendo a mesma coisa."

Esse descendente de poloneses, que já na faculdade de Direito começou a negociar imóveis, ficou conhecido como o mago deste mercado. Hoje, ele administra um dos maiores fundos imobiliários do mundo, com US$ 30 bilhões em ativos. Embora colecione alguns fracassos, Zell é reconhecido pela impressionante capacidade de entrar e sair dos negócios na hora certa. A história mais emblemática aconteceu no auge da crise financeira. Em 2007, pouco antes de o segmento imobiliário entrar em colapso nos EUA, ele vendeu a Equity Offices Properties por US$ 39 bilhões - na maior transação do setor registrada até então no mundo.

Na mesma época, Sam Zell fez um de seus piores negócios: investiu US$ 8,2 bilhões na Tribune Company, que publica os jornais Chicago Tribune e Los Angeles Times, um ano antes de a empresa entrar em recuperação judicial. Ela saiu da concordata no fim de 2012, e nesse período levou alguns bilhões do bolso de Zell.

A fama de visionário levou o megainvestidor para os mercados emergentes há 15 anos, quando criou com o sócio Gary Garrabrant a Equity International para investir em países da Ásia, África e América Latina. No Brasil, ele e Garrabrant (desafeto desde 2012 e, agora, concorrente), chegaram em 2005, comprando ações da construtora Gafisa - aqui, Sam Zell também vendeu suas ações antes de a companhia se afundar numa crise, em 2011. No mercado brasileiro, a Equity International foi sócia de empresas como a administradora de shoppings BR Malls, a empresa de financiamento imobiliário Brazilian Finance & Real Estate S.A. (BFRE) e da Bracor, gestora de imóveis corporativos. Hoje, detém participações apenas no Grupo Thá e na Guarde Aqui.

Concorrentes. Os olhos de Sam Zell, no momento, estão mais voltados para China e Índia. Assim como os do ex-sócio Gary Garrabrant. Parceiros desde a fundação da Equity International, os dois se separaram em 2012, depois de um desentendimento sobre remuneração e questões estratégicas.

Agora, eles se prepararam para brigar por um mercado que já conquistaram juntos, o de imóveis em países emergentes. Garrabrant está captando um fundo de US$ 1 bilhão para comprar participações em empresas na América Latina e na Ásia. Zell estaria levantando US$ 600 milhões para fazer o mesmo, segundo reportagem publicada no The Wall Street Journal no fim de agosto.

Os ex-sócios tentam, no momento, mostrar aos investidores quem foi "o mais responsável" pelo sucesso da Equity International, que tem registrado uma taxa média de retorno anualizada de 20% em seus investimentos. / NAIANA OSCAR

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