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Samsung terá de desembolsar R$ 10 milhões por casos de assédio moral

Funcionários da empresa sul-coreana no Brasil relataram desde agressão física até ingestão forçada de bebida alcoólica; companhia nega abusos

Natália Cacioli, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2015 | 14h18

SÃO PAULO - A Samsung fez um acordo com oMinistério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo para pagar R$ 10 milhões e assim evitar ajudicialização de casos de assédio moral sofridos por seus funcionários noBrasil. A empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no qual secompromete a adotar medidas gerenciais imediatas para erradicar a prática, alémde desenvolver e veicular uma campanha publicitária na mídia sobre assédiomoral.

Funcionários da Samsung doBrasil relataram sofrer diversas formas de abusos no ambiente de trabalho. Emum dos casos, uma mulher chegou a ser agredida fisicamente por um diretor eridicularizada na frente de mais de 80 pessoas. Ela contou ainda que eraconstantemente obrigada a ficar além de seu horário de trabalho. Por causa doassédio constante, ela se afastou do trabalho e faz tratamento psiquiátrico atéhoje.

As investigações apontaram que oambiente de trabalho hostil estava ocasionando doenças psicológicas e cardíacasem vários trabalhadores. Há acusações de que os empregados eram obrigados aingerir bebida alcoólica por "razões culturais" dos superiores.

Punições. Com o acordo, aSamsung não terá de responder processo na Justiça. No entanto, a empresa secomprometeu a investir R$ 5 milhões em ações publicitárias, que serãoveiculadas em emissoras de TV e rádio e em jornais de grande circulação emabril e maio. A empresa irá apresentar o conteúdo da campanha para o MPT nasemana que vem.

Além disso, a Samsung tambémserá obrigada a doar outros R$ 5 milhões para instituições sociais idôneas,cujas indicações deverão ser aprovadas pelo MPT. A empresa terá ainda deapresentar anualmente ao Ministério Público todas as denúncias recebidasreferentes a assédio moral e quais medidas foram adotadas.

O acordo chegou a ser canceladoem meados de 2014, porque a Samsung afirmou que havia demitido um diretorenvolvido nos casos de assédio. No entanto, esse diretor foi promovido etransferido para outro país. A negociação só foi retomada após a comprovação deafastamento desse funcionário.

Outro lado. Em nota, a Samsungafirmou que o acordo feito com o MPT não implica em reconhecimento de assédiomoral individual a quem quer que seja. "Como uma empresa global,respeitamos as leis e regulamentos de todos os países em que operamos",disse.

A empresa afirmou ainda que tem o compromisso de tratar seusfuncionários com dignidade, proporcionando um ambiente de trabalho que garantaos mais elevados padrões de saúde, segurança e bem-estar. "Com o objetivode garantir elevados padrões de conformidade, em todas as nossas unidades,mantemos canais de denúncia e realizamos inspeções regularmente".

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