Sanofi conclui compra da Medley por R$ 1,5 bilhão

Com o acordo, que deve ser assinado hoje, Sanofi se fortalece na disputa pelo mercado de genéricos

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2009 | 00h00

O grupo francês Sanofi-Aventis fechou a compra do laboratório farmacêutico brasileiro Medley. A aquisição deve ser assinada hoje e anunciada na semana que vem. Trata-se de um negócio de R$ 1,5 bilhão. Pelo menos R$ 500 milhões devem ir para o bolso do controlador, o ex-piloto de stock car Alexandre Negrão. Mas esse valor pode subir e chegar a R$ 1 bilhão, caso não surjam eventuais surpresas não detectadas antes do acordo, segundo uma fonte próxima à operação. A dívida do grupo será descontada do restante. Procurada, a Medley não quis comentar o assunto. Até o fechamento desta edição, a Sanofi não respondeu às ligações.A aquisição do laboratório Medley, que disputa com a EMS a liderança na venda de genéricos, é o passaporte para a Sanofi entrar definitivamente no segmento que mais cresce nessa indústria. A atuação dos franceses no País ainda é muito tímida. Desde agosto de 2007, vendem genéricos com a marca Winthrop. Embora tenha uma situação financeira delicada, a Medley é considerada uma marca forte e respeitada e tem uma das fábricas de genéricos mais modernas do Brasil.Com faturamento de ? 601 milhões em 2008 (cerca de R$ 1,8 bilhão), a Sanofi é líder na venda de medicamentos no País. No mundo, o grupo francês é um gigante com receitas de ? 27 bilhões (R$ 82 bilhões) e cerca de 100 mil funcionários. Nos seus relatórios financeiros, tem destacado a importância de Brasil, China, Rússia, Índia e México, que ela considera "mercados do amanhã". Juntos, esses países crescem acima de dois dígitos e já representam 23,7% do faturamento do grupo. Entre os emergentes, o Brasil é o maior mercado da Sanofi. Mas, embora viesse crescendo acima de 10%, no ano passado avançou somente 1,4%.Por muito tempo, Negrão resistiu em vender o laboratório. Sua primeira opção era encontrar um sócio. Em 2005, a empresa começou a preparar a venda de suas ações na Bolsa de Valores. Mas o IPO nunca saiu do papel. Para o empresário, seria o melhor dos mundos. Ele poderia embolsar uma fortuna, se fizesse uma oferta secundária, e ainda continuaria no controle. Negrão tem fama de perdulário. Suas retiradas na Medley eram equivalentes ao lucro da companhia, segundo fontes do mercado. Apaixonado por máquinas, é um dos poucos brasileiros que voam no jato Global Express 5000, da Bombardier, que há dois anos era avaliado em US$ 30 milhões. Era o mesmo usado pelo presidente mundial da gigante suíça Novartis. A Medley foi criada (com esse nome) há doze anos pela família Negrão. Em pouco tempo, saiu da condição de desconhecida para o topo da indústria. Quando a concorrente Biosintética foi vendida, em 2005, ela passou a ser cobiçada pela indústria de genéricos. Mas, além da Sanofi, só o Aché foi adiante. Até o fim do ano passado, o laboratório brasileiro ainda estava no páreo para comprar a Medley. Teria desistido, segundo fontes, porque o acionista da Medley não concordou em abater a dívida do valor total. SOLUÇÃONos últimos meses, a situação financeira da Medley tornou-se bastante delicada. A venda era vista pelo mercado como uma solução para a companhia, que tem boa parte da dívida com vencimento no curto prazo. Com a crise, que secou o crédito nos bancos médios, seus principais financiadores, a situação piorou. Fontes do mercado dizem que a empresa vinha tendo dificuldades para pagar fornecedores e não produzia medicamentos havia alguns meses . NÚMEROS? 601 milhõesfoi o faturamento do Sanofi-Aventis no Brasil, onde é líder de mercado, em 2008? 27 bilhõesfoi a receita do grupo francês no mundo no ano passado100 mil funcionários trabalham para o Sanofi-Aventis em todo o mundo1,4%foi o crescimento do Sanofi no Brasil em 2008, abaixo da média de 10% registrada no últimos anos

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