Sanofi faz oferta de US$ 18,5 bi pela Genzyme

Sem acordo com a direção do grupo de biotecnologia americano, gigante[br]francesa dos medicamentos parte para tentativa de aquisição hostil

AP, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

NOVA YORK

A gigante farmacêutica francesa Sanofi-Aventis apresentou ontem uma oferta pública em dinheiro de US$ 18,5 bilhões pela empresa americana de biotecnologia Genzyme Corp., depois de meses de tentativas de compra frustradas.

Segundo os termos da proposta, os acionistas da Genzyme receberiam US$ 60 por ação, ou um prêmio de 38% sobre o preço de fechamento de US$ 49,86 do dia 1.º de julho. Esse é o dia anterior ao início das especulações sobre a tentativa da Sanofi de comprar um laboratório farmacêutico americano, possivelmente o Genzyme, para recuperar parte das receitas perdidas com a concorrência dos genéricos.

Desde então, a companhia francesa passou a se defrontar inesperadamente com a concorrência dos genéricos de seu remédio anticoagulante injetável de maior venda, o Lovenox, que no ano passado rendeu à Sanofi US$ 3,9 bilhões. Outro importante medicamento da empresa, o Plavix, para reduzir o risco de acidente vascular cerebral, o segundo mais vendido no mundo, perderá a patente em 2012.

A Sanofi-Aventis levou a público a proposta depois de "várias tentativas fracassadas" de convocar os diretores da Genzyme para negociações. O laboratório francês informou ter enviado proposta detalhada em 29 de julho para a diretoria da empresa americana, que a recusou em 11 de agosto. Em carta enviada a Henri A. Termeer, presidente da Genzyme, Christopher A. Viehbacher, presidente da Sanofi-Aventis, anunciou que o grupo "não tem escolha senão levar a proposta aos seus acionistas, divulgando-a publicamente".

Embora prefira conversar com o conselho da empresa, Viehbacher disse ontem em uma teleconferência considerar todas as alternativas. "A Sanofi-Aventis acredita totalmente nesta aquisição e em seus benefícios estratégicos e financeiros", afirmou Viehbacher. "Estamos fundamentalmente interessados em iniciar discussões construtivas com a Genzyme para concluirmos a transação."

A companhia americana é considerada atraente porque tem um medicamento promissor para altos níveis de colesterol e outras doenças já em fase avançada de desenvolvimento, e vende alguns medicamentos lucrativos contra distúrbios genéticos. Um segmento de mercado cobiçado porque os grandes laboratórios diversificam sua produção, não se limitando a remédios campeões de vendas, que perdem terreno para os rivais genéricos.

Novo medicamento. A Genzyme, sediada em Cambridge, Massachusetts, recebeu em maio a aprovação para a produção de um novo remédio contra a doença degenerativa de Pompe, e seu remédio experimental biológico contra a esclerose múltipla está sendo avaliado pela Agência de Alimentação e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês).

Segundo Viehbacher, o alcance global da Sanofi e seus recursos permitiriam à Genzyme acelerar os investimentos em novos tratamentos, numa maior penetração do marketing atual e na sua maior expansão nos mercados emergentes. Também poderia contribuir para fazer frente aos problemas da Genzyme na produção.

No mês passado, a Genzyme informou uma queda acentuada no lucro no segundo trimestre por causa do declínio das vendas e de provisões em parte relacionadas aos seus problemas de produção. As vendas de dois importantes medicamentos - Cerezyme e Fabrazyme - despencaram em consequência de uma contaminação viral em uma fábrica da companhia. A Genzyme anunciou em maio que havia concordado em pagar multa de US$ 175 milhões ao governo e está elaborando um plano para uma profunda revisão na fábrica.

A Sanofi-Aventis é a quarta maior companhia farmacêutica do mundo, com uma receita de aproximadamente US$ 35,5 bilhões em 2009. A Genzyme contabilizou em 2009 um lucro líquido de US$ 422,3 milhões para uma receita de US$ 4,52 bilhões.

Compras em série

Desde que assumiu a presidência da Sanofi-Aventis, em dezembro de 2008, Christopher Viehbacher já realizou dezenas de aquisições. Na maior parte, foram empresas de médio porte.

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