Santa Casa ajusta o caixa e investe em novo hospital

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo dá mais um passo em direção a sua reestruturação financeira e operacional. A instituição filantrópica inaugura amanhã a segunda unidade do Hospital Santa Isabel, que funcionará ao lado do prédio antigo da Santa Casa, na região central da capital paulista, para atender pacientes particulares e convênios médicos. A nova unidade, que concorrerá com hospitais estrelados como o Albert Einstein, o Sírio Libanês e o Oswaldo Cruz, tem uma história peculiar.

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

O prédio foi concebido para abrigar um hotel do grupo Mofarrej, mas a Santa Casa convenceu o dono da rede hoteleira, Miguel Mofarrej, a alugá-lo para a instalação do hospital. "Disse ao Miguel que o local não era adequado para um hotel de luxo", diz o advogado Kallil Rocha Abdalla, provedor da Santa Casa. Abdalla usou como argumento o fato de o hotel estar localizado em frente ao velório e o necrotério da Santa Casa para demover Mofarrej. Convenceu.

Negócio fechado, a Santa Casa investiu R$ 30 milhões para reformar e equipar o novo hospital, que conta com 103 leitos operacionais, 18 unidades de terapia intensiva, nove salas de cirurgia e centro de diagnóstico. A UTI do Santa Isabel II é a menina dos olhos da equipe médica da casa. Os leitos possuem amplas janelas, relógio, televisão, música ambiente e quadro com fotos da família do paciente. "Esse conforto é essencial para a recuperação e o bem-estar do paciente", afirma Abdalla. A ideia da Santa Casa é que o novo hospital banque os atendimentos do SUS. A estimativa é que a nova unidade gere receitas de R$ 144 milhões por ano.

A inauguração do hospital só foi possível depois que a Santa Casa colocou as contas em ordem. Entre os esforços para encontrar o equilíbrio financeiro, a instituição vendeu propriedades, renegociou a forma de remuneração com o SUS e terceirizou vários serviços: compra de medicamentos e material médico-hospitalar, higiene e limpeza, segurança, recepção e portaria.

Com essas e outras iniciativas, as finanças da Santa Casa estão equilibradas. São R$ 80 milhões em dívidas equacionadas e um orçamento anual de R$ 1 bilhão. Grande parte desse montante, cerca de 70%, vem dos atendimentos prestados ao Serviço Único de Saúde (SUS). A Santa Casa também conta com fontes de recursos próprios, como o aluguel de mais de 400 imóveis que fazem parte do seu patrimônio, doados por pessoas físicas e jurídicas ao longo dos 400 anos de história da instituição. Entre os imóveis, está o antigo prédio do Mappin, na Praça Ramos, em São Paulo, hoje locado para as Casas Bahia.

À frente do complexo da Santa Casa, que conta com 39 unidades de saúde, entre operações próprias e administradas pela instituição, estão 48 diretores de carreiras distintas, que comandam 10 mil funcionários. Em comum, eles têm especialização em administração hospitalar. Segundo Antonio Carlos Forte, superintendente da Santa Casa, grande parte das instituições similares, espalhadas pelo País só conta com a boa vontade de voluntários. "Tem Santa Casa por aí sendo administrada por açougueiro ou sapateiro", diz Forte. "Admiro a boa intenção das pessoas, mas é preciso ser profissional para gerir um complexo hospitalar."

Os planos da Santa Casa não param por aí. Novas fontes de renda devem irrigar seu caixa daqui para frente. A capela instalada no complexo, por exemplo, vai começar a realizar casamentos, com a bênção de dom Odilo Pedro Scherer, o cardeal de São Paulo. A lavanderia, que ocupa um prédio no complexo hospitalar, será terceirizada. Seu espaço será transformada num centro de convenções para uso próprio e de terceiros que queiram alugar o local para eventos. "E assim, a Santa Casa vai perseguindo a sua missão de caridade, só que agora, com crédito na praça", diz Abdalla.

FRANQUIAS

Fran"s Café expande rede de lojas e vai aos EUA

A cafeteria paulista Fran"s Café vai pôr o pé na estrada. O local escolhido para a primeira investida internacional do grupo é a cidade de Orlando, na Flórida, nos Estados Unidos. No final de agosto, uma comitiva do Fran´s desembarca na cidade americana para bater o martelo sobre o local das instalações da unidade, que será comandada pelo empresário Egberto Júnior, franqueado da rede no Brasil. A internacionalização faz parte do plano da Fran´s Café de aumentar o seu faturamento de R$ 80 milhões no ano passado para R$ 120 milhões até 2012.

Até lá, o Fran"s pretende abrir mais 17 lojas, ampliando sua rede para cerca de 150 unidades. O mais recente passo da expansão da Fran"s foi a abertura de um estabelecimento em Niterói, no Rio de Janeiro. Ainda devem ser inaugurados até o final do ano lojas em Belo Horizonte, Aracaju, Natal, Goiânia, Brasília e Campo Grande, num investimento estimado em R$ 5 milhões. Segundo Henrique Ribeiro, um dos controladores do Fran''s, ao mesmo tempo a rede está investindo na melhoria do atendimento, objeto de reclamação constante dos frequentadores da rede.

TECNOLOGIA

Comitiva espanhola busca negócios no País

Representantes de cerca de 20 empresas espanholas de tecnologia da informação estão reunindo-se com empresários brasileiros desde terça-feira. A delegação espanhola, apoiada pela Barcelona Activa, agência de desenvolvimento da prefeitura de Barcelona, capital da Catalunha, reuniu-se para a rodada de negócios com possíveis parceiros brasileiros no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), em São Paulo. Eles estão de olho no potencial representado por 400 incubadoras e cerca de 50 parques tecnológicos em atividade no País. Daqui a três meses, será realizada uma nova rodada de negócios, promovida com o apoio da Consulado da Espanha em São Paulo: dessa vez, será dada uma atenção especial às empresas da área de medicina e saúde.

PLÁSTICO VERDE

Braskem começa a operar em agosto em Triunfo

Começará a operar em agosto a fábrica de eteno verde da Braskem, em Triunfo, no polo petroquímico gaúcho. Construída com investimentos de R$ 500 milhões, a unidade terá capacidade para a produção de 200 mil toneladas e será a primeira no gênero, no mundo, a utilizar matéria prima 100% renovável, à base de cana-de-açúcar. Na semana passada, a fábrica recebeu a licença ambiental do governo estadual.

VAREJO

Julho é o mês sustentável no Walmart brasileiro

O aumento da demanda por produtos com selos de sustentabilidade levou a subsidiária brasileira do Walmart a dedicar um mês específico para o tema. Realizado pela segunda vez, neste mês de julho, o Mês da Terra oferece aos clientes das 445 lojas da rede cerca de 60 produtos da Unilever, Procter & Gamble, Coca-Cola, Johnson & Johnson, Kimberly Clark, Colgate, Pepsico, Electrolux, entre outros, com diferenciais de sustentabilidade. A ação passou a figurar no calendário oficial de publicidade do Walmart e receberá verba específica, da mesma maneira que a promoção de outras datas importantes para a varejista, como o Natal e Dia das Mães.

PROMOÇÃO

R$ 29bi

foi a receita gerada pelo setor de marketing promocional no País em 2009, segundo os organizadores da Feira Brazil Promotion, marcada para 3 a 5 de agosto, em São Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.