Santander condiciona presença na Argentina

O presidente do banco espanhol Santander Central Hispano (BSCH), Emílio Botín, disse hoje que a presença de seu grupo na Argentina está condicionada ao futuro do sistema financeiro do país. "Nossa permanência na Argentina está sujeita à viabilidade do sistema financeiro da Argentina", disse Botín durante uma entrevista coletiva realizada esta manhã em Madri, na qual apresentou os resultados do banco do ano passado. "É óbvio que numa situação de inviabilidade do sistema na Argentina, teremos que nos retirar, pois não vamos querer perder dinheiro e temos que pensar nos nossos acionistas. Esperamos que não seja necessário chegar a essa posição."Emílio Botín, disse que nos últimos dias ficou "ligeiramente menos pessimista em relação à Argentina do que estava na semana passada". Segundo ele, desde quinta-feira passada, alguns fatos ocorridos em Buenos Aires contribuíram para essa mudança. No entanto, acrescentou: "Mas continuamos pessimistas em relação ao país."Botín disse que há várias medidas que devem ser adotadas pelo governo argentino para garantir a presença do banco no país. "Não se trata apenas da simetria do passivo e ativo, há muitas outras medidas necessárias", disse. "Não somos o governo argentino, cabe a eles decidir o que fazer, mas espero que tomem decisões que levem em conta o estabelecimento de um sistema financeiro que funcione." Botin negou também que esteja pressionando o governo argentino ou governo espanhol para as mudanças das medidas econômicas adotadas pelo presidente Eduardo Duhalde.Ele disse ainda que não vê o risco de contágio da crise argentina no Brasil. "Não há risco sistêmico", afirmou. "Os mercados são inteligentes e sabem que a situação argentina é única. "Botin disse que o banco "está encantado com os investimentos no Brasil", inclusive com a aquisição do Banespa. "Tivemos uma oportunidade única, qual o banco internacional que pode conquistar a posição que temos no Brasil hoje?"Segundo ele, a crise argentina não vai provocar uma revisão dos investimentos na América Latina. "Estou convencido de que não vai haver caso Argentina todos os anos", disse ele ressaltando que os investimentos do BSCH na região são de longo prazo e que o potencial de crescimento continua sendo muito positivo.Leia o especial

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