Santander: Consumo doméstico e PIB voltam a crescer 'na mesma velocidade de antes da crise'

Segundo economista-chefe do banco, expansão é impulsionada pelo aumento da renda e pela recuperação do crédito

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

29 de março de 2010 | 11h24

O economista-chefe do banco Santander, Alexandre Schwartsman acredita em manutenção da tendência de crescimento da demanda doméstica nos próximos meses, assim como na necessidade de aperto monetário para conter a inflação. Em palestra no seminário Cenários da Economia Brasileira e Mundial em 2010 na sede da Firjan, o economista destacou que o consumo doméstico e o PIB já voltaram a crescer "na mesma velocidade de antes da crise". Segundo ele, a expansão está sendo impulsionada pela continuidade do aumento da renda e a recuperação e aceleração da concessão de crédito com queda da inadimplência.

 

De acordo com o economista, nesse cenário de crescimento acelerado o papel do Banco Central será fundamental para conter a inflação. "O cenário é favorável, con crescimento enraizado na demanda doméstica, mas não da para sustentar um crescimento do PIB na casa de 7%, vamos ter que crescer algo menos que isso, que estimamos em 4,5%, e a responsabilidade de conter esse crescimento deve cair em cima do Banco Central", disse.

 

Schwartsman, que deu a sua palestra o título da música do grupo America do início dos anos 70, Ventura Highway para sublinhar o otimismo, disse que não acredita que o processo eleitoral vá mudar o patamar do risco Brasil, já que mesmo que ocorram discussões em torno da política monetária e cambial, não haverá perigo de polêmicas em torno da questão fiscal. "Ninguém vai brincar com a estabilidade da dívida", acredita.

 

Copom

 

O economista-chefe do banco Santander acredita que o Copom poderá definir um aumento na selic superior a 0,50 ponto porcentual em abril. "Por enquanto acreditamos em uma alta de 0,50 ponto porcentual. mas a chance de ser um número maior é crescente, poderia chegar a 0,75 ponto porcentual". Schwartsman argumentou que a elevação dos juros vai responder a uma necessidade de reduzir o ritmo de crescimento do PIB a uma taxa mais próxima de 4,5%.

 

O economista disse esperar que a taxa selic chegue a 12% ao final do ciclo de alta que será iniciado em abril e possa estar no patamar de 11,75% em dezembro deste ano "sobrando pouco o que fazer em 2011". De acordo com ele, a alternativa ao aumento dos juros para desacelerar o crescimento da economia seria a redução do gasto público.

 

"Esta alternativa nunca foi utilizada e não deve ser, a escolha tem sido de que o fardo caia sobre o BC". Schwartsman lembrou que a projeção atual do Santander é de crescimento do PIB de 5% em 2010, mas adiantou que esta expectativa está sendo revisada para cima. Ele concedeu entrevista após participar do seminário "Cenários da economia brasileira e mundial em 2010", hoje de manhã no Rio de Janeiro.

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