Santander eleva em 11,8% gasto com devedores

Aumento da provisão e desempenho da matriz derrubaram ações do banco, que lucrou R$ 4,15 bi no 1º semestre

Silvia Araujo, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

O banco Santander Brasil foi mais conservador no segundo trimestre deste ano, elevando em 11,8% as despesas com provisões para devedores duvidosos na comparação com o período de janeiro a março deste ano.

Boa parte desse aumento foi justificado pelo avanço da inadimplência, que vem subindo desde dezembro do ano passado, como reflexo das medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central, aliadas ao aumento da taxa básica de juro, avanço da inflação nos últimos meses e o aumento dos spreads.

A taxa de calotes que considera a carteira vencida há mais de 90 dias e os créditos normais com alto risco de inadimplência chegou a junho em 6,7%, mostrando alta de 0,6 ponto porcentual sobre o trimestre anterior. O presidente do Santander Brasil, Marcial Portela, estima que as taxas de inadimplência tendem a se estabilizar no terceiro trimestre e as provisões serão constituídas de acordo com esse indicador.

Após a divulgação do balanço, as ações do banco caíram 6,39%, ante queda de 1,77% do Ibovespa. Preocupou o mercado a alta da inadimplência e, consequentemente, o aumento das provisões, somado ao desempenho da matriz, o Santander da Espanha, que teve queda no lucro líquido de 38% no segundo trimestre deste ano ante o mesmo período do ano passado, para 1,39 bilhão (US$ 2,01 bilhões).

O mercado não gostou também da medida adotada pelo banco espanhol de suspender por três anos o pagamento de hipotecas a clientes que enfrentam dificuldades financeiras e têm problemas para pagar os empréstimos. Um operador chegou a dizer que a interpretação é de que, para compensar a perda no exterior, o grupo pode decidir "sangrar" as operações do Brasil.

No Brasil, o Santander teve lucro líquido de R$ 2,082 bilhões, em IFRS, o que representa crescimento de 17,8% sobre o mesmo período de 2010. No semestre, o lucro avançou 17,7% e somou R$ 4,154 bilhões. O Brasil representou 25% do resultado do grupo e 56% da América Latina.

Desde a capitalização feita em 2009, quando o Santander Brasil levantou R$ 14 bilhões com sua oferta de ações, agentes do mercado cobram melhores indicadores de eficiência do banco, como, por exemplo, agressividade nas operações de crédito e geração de resultados mais robustos.

Paciência. Questionado sobre os comentários de analistas e investidores nesse sentido, Marcial Portela afirmou que o investidor que tiver paciência vai colher bons resultados com o Santander Brasil, "já os que não têm paciência deveriam estar em outra instituição".

De fato, além do conservadorismo na provisão, o banco também foi mais conservador na concessão de financiamentos no segundo trimestre. No período, a carteira de crédito cresceu 4,1%, para R$ 171,279 bilhões.

A carteira de crédito ampliada, que considera outras operações com risco de crédito, como debêntures, Fundo de Direito Creditório (FDIC) e Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) cresceu 3,9% sobre os três primeiros meses do ano e chegou a R$ 184,362 bilhões.

Na comparação com o mesmo período do exercício anterior, houve aumento de 18,5%, considerando a carteira ampliada. Os números estão no padrão internacional de contabilidade IFRS. Pela contabilidade brasileira (BR Gaap), a carteira de crédito ampliada cresceu 3,6% no trimestre e 18,3% em 12 meses. Segundo Portela, a estratégia de crescimento de crédito continua amparada pelos segmentos de maior rentabilidade: pessoa física e pequenas e médias empresas.

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