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Santander empresta 40% a mais para o agronegócio em março

Banco espanhol afirma que empresas buscam reforçar caixa, mas também antecipar renovação de crédito para a próxima safra

Coluna do Broad Agro, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2020 | 05h00

O Santander viu disparar a demanda do agronegócio por crédito de curto prazo em março. O movimento coincidiu com a pandemia do coronavírus e a adoção de medidas de isolamento social. No mês passado, o total emprestado pelo banco a produtores rurais e empresas superou em 40% o de março de 2019. As empresas lideraram a procura. “Na crise, a primeira coisa que as companhias fazem é reforçar seu caixa”, diz o diretor de Agronegócios, Carlos Aguiar. “Mas os produtores também estão buscando antecipar a renovação de crédito para a próxima safra.” Apesar da turbulência, o Santander não reviu o perfil de risco de clientes do setor. “Não enxergo nenhum problema no agro hoje: o mercado está funcional, as tradings estão adquirindo grãos, a indústria de carnes comprando e pagando. Há apenas problemas pontuais”, afirma.

Desacelera

Já a procura por financiamento de máquinas e outros bens diminuiu. Primeiro por causa do receio de contrair dívidas de longo prazo no atual cenário incerto, diz Aguiar. Mas também porque os juros futuros, referência para linhas de longo prazo, subiram, refletindo a insegurança trazida pela pandemia. No início de março, a taxa DI para 2027 estava entre 6% e 7% ao ano. Durante o mês chegou a bater em 9,5% e agora está perto de 8%. O Santander, que cobrava 9,5% a.a. (ante 8,5% do BNDES), agora tem taxas de 9,5% a 11% ao ano. “Estamos na defensiva”, diz.

Quem procura...

Uma fonte do setor alerta que, mesmo com riscos limitados para o agronegócio brasileiro com a covid-19, os juros cobrados em linhas de curto prazo estão subindo. “A demanda puxa para cima o preço do dinheiro. A taxa de juros está mais cara, especialmente para as empresas. O spread (porcentual cobrado por bancos sobre a taxa de referência, como a Selic) dobrou, de 1 para 2 a 3 pontos porcentuais”, conta a fonte.

Melhor garantir

A pandemia da covid-19 também levou produtores de café a anteciparem para março compras de colheitadeiras planejadas para maio. A fabricante Pinhalense vendeu 30% mais no mês passado do que o esperado. Diversos fatores influenciaram, conta o presidente, Reymar Coutinho de Andrade. Receio de regras proibindo contratação de mão de obra na colheita, de restrição ao transporte de trabalhadores e da menor oferta de colheita mecanizada terceirizada são alguns. “Havia temor de paralisação da produção”, diz Andrade. Na Pinhalense isso não ocorreu.

Alternativa

Startups de comercialização de produtos vêm se proliferando no mercado agrícola. Depois da Grão Direto e da CBC Agronegócios, deve ser lançada no segundo semestre a Agropad. A plataforma, que conta com parceiros como Bradesco Cartões, Alelo e Mercado Pago, funcionará como um mercado virtual, onde produtores e pecuaristas do País poderão comprar e vender produtos, máquinas, insumos e outros itens.

Ambição

Luciano Moraes e Christian Hunt, sócios da startup, contam que a Agropad tem 150 produtores cadastrados e que a meta é chegar a 1,5 mil no primeiro ano de funcionamento. Também em 12 meses eles esperam movimentar R$ 25 milhões na plataforma, contando que muitos agricultores têm interesse em sair da dependência de poucos compradores. O custo será uma taxa de corretagem por transação – concorrentes cobram corretagem por saca ou são remunerados por assinaturas e anúncios.

Segue em frente

A decisão do governo de reduzir a meta nacional de aquisição para os Créditos de Descarbonização (CBios) do Renovabio não muda os planos da Copersucar para o programa, diz Mônica Jaen, gerente de Sustentabilidade e Meio Ambiente da cooperativa. Das 34 unidades da Copersucar, 18 já foram certificadas e até maio as demais também devem ser, com potencial para emissão de 6 milhões de CBios por ano-safra. “Vamos manter a certificação de 100% das nossas usinas e continuar transformando em CBios todas as notas fiscais”, conta. Há ainda a expectativa de que os créditos atraiam interesse externo. 

Em curso

Possíveis ajustes nas metas não surpreendem, mas também não afetam as produtoras no curto prazo, afirma Mônica Alcântara, gerente de Sustentabilidade da Atvos: “A redução da meta nacional não deve ser tão imediata, o impacto pode ser maior a partir de 2021”. Com todas as suas oito usinas certificadas até março, a empresa estima já ter gerado cerca de 100 mil pré-CBios nos últimos dois meses – período de entressafra. Para o ano-safra 2020/21, que começou este mês, o potencial de emissão chega a 2,3 milhões. O resultado dependerá do desempenho das vendas, sobretudo no segundo semestre, quando pode haver a retomada do mercado.

Acelerados

Produtores que tiveram bons resultados nas lavouras de verão aproveitaram os valores nominais recordes da soja com o dólar acima de R$ 5 para negociar o produto e antecipar, com descontos, o pagamento de dívidas que venceriam no fim de abril e fim de maio com revendas, afirma o consultor Vlamir Brandalizze. Com a maior parte dos insumos adquirida quando o dólar estava abaixo de R$ 4, o agricultor consegue aumentar a margem de lucro com o adiantamento. “É incomum termos cotações tão elevadas em plena colheita”, ressalta.

 

CLARICE COUTO, LETICIA PAKULSKI e JULLIANA MARTINS 

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